Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso
 
 
 
// TESES E DISSERTAÇÕES
DISSERTAÇÕES DE MESTRADO // DISSERTAÇÕES EM 2020
ANA CAROLINA RAMOS SLADE
Entre Muros e Morangos: a atmosfera de uma época no catálogo da Editora Brasiliense
Orientadora: Isabel Siqueira Travancas
Resumo: Em plena ditadura militar, o editor Caio Graco Prado liderou uma revolução pop à frente da editora Brasiliense. Com o início da remobilização social e a abertura gradual do regime, a editora reuniu em seu catálogo nas décadas de 1970 e 1980 um panteão de gerações de jovens transgressores visando uma parcela da sociedade que até então não tinha sido prioritária para o mercado editorial brasileira: os jovens.
O objetivo dessa pesquisa é reconstituir, por meio do catálogo e das publicações da Brasiliense, os vestígios e a aura desse tempo. Para tanto, recorremos aos conceitos de imaginário de Michel Maffesoli e aos postulados da História do Livro de Roger Chartier e de Robert Darnton. Entendemos que a circulação de discursos, fixados na materialidade do objeto-livro, nos oferece pistas a respeito da circulação de pensamentos em determinado período histórico. Durante essa intensa troca, há algo que transcende a concretude das práticas cotidianas e dos discursos: os sentimentos partilhados. Cimento social que une os agrupamentos humanos, o imaginário é reflexo, incide e transforma a realidade.
A partir de um panorama das práticas de resistência do mercado editorial à repressão instaurada pelo golpe militar de 1964, analisamos as singularidades do projeto de formação de leitores e de cidadão contestadores da Brasiliense, que concebeu uma linguagem jovem para livros e leitores em consonância com um país também em transição.
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ANITA RIVERA GUERRA
A Nostalgia de Infinito e a Poética do Impossível em Alejandra Pizarnik e Cristina Peri Rossi
Orientadora: Beatriz Jaguaribe de Mattos
Resumo: “Nostalgia do infinito e a poética do impossível em Alejandra Pizarnik e Cristina Peri Rossi” é uma leitura das obras literárias da argentina Alejandra Pizarnik e da uruguaia Cristina Peri Rossi a partir, principalmente, das problemáticas do exílio, da nostalgia e do estranhamento para consigo e com o mundo. Buscou-se abordar essas temáticas através de uma perspectiva intertextual e transdisciplinar, para compreender como a poética das autoras se constrói em torno dessas temáticas e suas relações sociais e históricas com a composição de imaginários territoriais, urbanos e geográficos da região do Rio da Prata e suas duas capitais, Buenos Aires e Montevidéu. Para tanto, procurou-se construir um diálogo entre as autoras e teóricos de distintos campos de estudo, como da literatura, da filosofia e da arquitetura, com o intuito de ampliar e explorar possibilidades de leitura das obras de Pizarnik e Peri Rossi. Ao final da pesquisa, chegou-se a dois conceitos-chave considerados fundamentais: nostalgia de infinito e poética do impossível. Ambos se referem ao movimento incessante e espiralar que as poéticas das autoras assumem ao redor das questões já citadas, e que terminou por guiar também a escrita desse trabalho.
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ANTOINE NICOLAS GONOD D ARTEMARE
Foto-políticas: elementos para uma genealogia da luz
Orientador: Antonio Pacca Fatorelli
Resumo: De que maneira a luz tem a capacidade de influenciar, determinar, capturar, vigiar, disciplinar e controlar as opiniões, discursos e práticas dos indivíduos? Nessa pesquisa, buscaremos explicitar as relações entre luz e (bio)política. Consideraremos a luz na sua dimensão midiática — tal como proposto pelo teórico das mídias Sean Cubitt — cuja materialidade não apenas participa da constituição do mundo cognoscível e experimentável, mas também permite processos de mediação entre seres humanos e não humanos, de modo consciente ou inconsciente, individual ou coletivo. A partir disso, ambicionamos tornar visíveis as diversas maneiras pelas quais poderes — religiosos, políticos, econômicos ou científicos — se serviram de mediações da luz como instrumento político e biopolítico nas sociedades soberana, disciplinar e de controle. Desse modo, procuraremos desnaturalizar nossa relação com a luz e reconhecer seu protagonismo a serviço de foto-políticas, termo que propomos para designar algumas instrumentalizações políticas da luz. Seguiremos o método genealógico no intuito de realizar uma cartografia, de modo diagramático, das diversas relações de forças que atravessam a história, tanto dos discursos e saberes sobre a luz quanto das práticas, acontecimentos e materialidades luminosas. Para tal, colocaremos em diálogo a análise de produções discursivas, objetos midiáticos e estudos teóricos que, ao tensionar a relação entre luz e poder, nos permitem evidenciar efeitos e estratégias mais amplas de controle, domínio e administração positiva dos indivíduos. A pesquisa fundamenta-se principalmente nas obras teóricas de Michel Foucault, Jonathan Crary, Paul Virilio, Guy Debord, Walter Benjamin, Friedrich Kittler, Gilles Deleuze e Marie-José Mondzain.
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CECILIA SA CAVALCANTE SCHUBACK
A Volta Metafísica da Linguagem Virtual-digital
Orientador: Muniz Sodré Cabral de Araújo
Resumo: A tese central de nossa dissertação é de que para se compreender o que a linguagem virtualdigital faz com a linguagem humana é preciso entender como a linguagem virtual-digital realiza uma volta à metafísica e nela esvazia a linguagem. O método utilizado consiste numa reflexão crítica, em certo sentido filosófica, de categorias tradicionais da linguagem com a intenção de analisar a diferença entre a compreensão comum e tradicional da linguagem e a da linguagem virtual-digital. Para realizar essa tarefa, a dissertação fez um estudo crítico de alguns elementos centrais do pensamento de Ferdinand de Saussure, Jean Baudrillard, Aristóteles e Muniz Sodré.
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CHAND AMNUVEL
Cenas Violentas contra Mulheres: feminismo e discriminação de gênero e transgênero no filme Bol - indústria do cinema paquistanês e indiano
Orientadora: Ivana Bentes
Resumo: Este trabalho aborda a influência do cinema na aceitação cultural da violência doméstica contra mulheres e a discriminação contra transgêneros. A aceitação do espectador paquistanês com relação à violência contra mulheres e transgêneros no cinema pode ser sentida a cada sessão, embora, também haja manifestações em contrário. Na maioria dos casos, os risos dos espectadores nas cenas de violência contra mulheres e transgêneros evidenciam a normalidade da cultura em favor desse tipo de violência. Neste trabalho, busco analisar através do filme Bol? como uma narrativa em defesa das mulheres e dos transgêneros gerou uma recepção negativa por parte do público paquistanês. O filme traz cenas perturbadoras de violência doméstica e discriminação contra as mulheres e pessoas trans, como por exemplo: espancamentos, estupros, assédio sexual, assédio moral, ódio. Neste trabalho também contar a história da indústria do cinema no Paquistão/Índia, enfatizando o trabalho realizado por mulheres e pessoas trans no cinema.
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CINTIA GONCALVES ALBUQUERQUE
A Representação do Negro no RJTV – 1ª Edição
Orientador: Muniz Sodré Cabral de Araújo
Resumo: Esta pesquisa pretende identificar qual é a representação social construída pelo telejornal RJTV – 1ª Edição sobre a população negra no Rio de Janeiro. Principia com o estudo sobre o conceito de representação social, cunhado por Serge Moscovici, relacionando-o com a questão do estereótipo, minorias e mídia. Logo após, é analisada a estrutura da televisão e a sua influência na sociedade contemporânea, abordando a relação da TV com a hegemonia, a formação de identidade e práticas de racismo. O trabalho também explora o histórico e as características atuais do RJTV – 1ª Edição, além de avaliá-lo sob o ponto de vista da comunicação comunitária. Por fim, é exposta a metodologia de análise sobre as reportagens do telejornal e os resultados obtidos com ela. A hipótese central é que o programa não consegue se desvincular do racismo estrutural presente na emissora Rede Globo, então a representação social do negro é carregada de conteúdo negativo ainda que, vez ou outra, seja possível escapar desse padrão em alguns noticiários do programa. Acredita-se, neste trabalho, que o telejornal deveria apresentar o afrodescendente em toda a sua complexidade, não vinculando a representação entre o eixo negativo-positivo.
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FELIPE LEAL ALMEIDA RESENDE
Café Müller e a Ausência de Palavra: ensaios de comunicação no tanztheater de Pina Bausch
Orientadora: Katia Valéria Toledo Maciel
Resumo: O presente estudo parte da peça Café Müller (1985), da dançarina e coreógrafa Pina Bausch, bem como de sua contribuição aos movimentos corporais soberanos a partir dos desenvolvimentos particulares da técnica do Tanztheater. Investigamos como essa modalidade de dança que não se distingue de uma teatralidade pode, dentro do campo da Comunicação, torná-lo aberto a um tipo de saber que não necessita do acordo fechado dos enunciados e que parte da ausência mesma de palavra para significar e corporificar uma gama de experiências inéditas. Paralela a essa análise, investigaremos também o compêndio de três livros de Georges Bataille apelidado de Suma Ateológica, buscando compreender como os dois autores podem partir de uma mesma negatividade comunicacional para encontrar questões em comum, sem que, contudo, o francês venha a servir de suporte ou entendimento às observações sobre a obra de Pina.
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FERNANDA ESPINOLA PARAGUASSU DE SÁ
Narrativas de Infâncias Refugiadas: a criança como protagonista da própria história
Orientador: Mohammed ElHajji
Resumo: Qual é a percepção da criança refugiada sobre o processo migratório? Para encontrar a resposta, o caminho foi buscar compreender como se dá a inserção das crianças refugiadas no novo espaço social, cultural e simbólico. O estudo parte da premissa de que a migração é um fenômeno histórico irreversível, mesmo no contexto incerto pós-pandemia, e do fato de que metade dos refugiados no mundo atualmente são crianças. O objetivo principal foi dar visibilidade à criança refugiada e contribuir para reflexões sobre novos paradigmas da comunicação que surgem na relação intercultural com o pequeno migrante. Pelo seu aspecto transdisciplinar, a comunicação permitiu a exploração de diversos níveis da realidade migratória: simbólico, narrativo, discursivo e vinculativo. Uma vez que nas ciências sociais ainda predomina uma visão adultocêntrica relacionada ao processo migratório, esta pesquisa se destaca por apresentar a criança como protagonista. A metodologia consistiu em dois métodos: uma observação empírica de crianças em uma dimensão situacional nos abrigos de refugiados venezuelanos em Roraima; e a uma pesquisa qualitativa com crianças refugiadas venezuelanas e congolesas que moram no Rio de Janeiro, oferecendo uma escuta sensível, apoiada na empatia. Da observação nos abrigos, foram registradas cenas para ilustrar conceitos, como a fronteira como lugar de liminaridade. No Rio de Janeiro, uma atividade lúdica de colagem para a construção do novo lar foi criada exclusivamente para a relação dialógica, chamada de conversa vinculativa. O sensível das conversações voltou em formato de breves histórias que trazem a realidade subjetiva de cada criança e costuram o conteúdo da dissertação. Cada história ganhou dois títulos para mostrar que é possível olhar a mesma experiência sob diferentes perspectivas. Autores como ElHajji, Kristeva, Agier, Arfuch, Ferrarotti e Moscoso contribuíram com conceitos de comunicação intercultural, estrangeiridade, fronteira, relatos de vida e criança refugiada. A pesquisa não teve a pretensão de generalizar a condição da criança em situação de refúgio. Pelo contrário, ficou evidente que cada infância é uma experiência única. Ao mesmo tempo, foi possível identificar aspectos individuais com acentos coletivos. No grupo selecionado, foi observado que há abertura para o novo espaço social, cultural e simbólico. E que o eixo comum que une essas infâncias parece ser a expectativa de um acolhimento com afeto. No entanto, houve casos em que muros visíveis tornaram-se invisíveis, como se a fronteira estivesse em todo lugar. Ainda não é possível afirmar que esses muros se tornarão intransponíveis, perpetuando a divisão entre um e outro. Isso dependerá do que vem pela frente.
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GABRIELLE GRANADEIRO DA SILVEIRA
Ativismo a partir da Internet: amor, ódio e suas possíveis implicações
Orientador: Henrique Antoun
Resumo: Este trabalho visa avaliar as implicações que o ativismo a partir da internet pode ter para a democracia global a partir de sua conjugação com as novas tecnologias e com o contexto histórico mundial. Ele faz um levantamento de diversas ações ativistas a partir da internet desde seus primórdios e procura explicar o momento atual, que parece focado na polarização e disseminação do ódio. Para isso foram descritas que tecnologias estão embarcadas atualmente na internet, através de que interfaces estão disponíveis, que atores são importantes no atual momento histórico e que agenciamentos estão em jogo. O trabalho conjuga estas informações com estudo de casos mais recentes, como o escândalo da Cambridge Analytica e o recrutamento de jovens para o Estado Islâmico, se aprofundando em analisar a atuação de militantes em prol do então candidato a presidente do Brasil Jair Bolsonaro. Na tentativa de entender como o ativismo se distanciou tanto de sua ideia original, que era a produção do comum, percebe que tal atuação se insere em uma lógica algorítmica de simulação de ativismo através da automatização do trabalho e manipulação psicométrica.
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ISABELA MARIA DE OLIVEIRA BORSANI
Apropriação Cultural e Mercantilização da Resistência: da experiência de opressão à empatia midiatizada
Orientador: João Freire Filho
Resumo: Esta pesquisa analisa se a chamada apropriação cultural e a adesão a causas minoritárias por meio do consumo configurariam uma expressão de empatia indolor, conforme o conceito de moral indolor de Lipovetsky (2005b). Repercutido em fevereiro de 2017 na imprensa tradicional e nos sites de redes sociais, o “caso do turbante” amplificou o debate étnico-racial sobre apropriação cultural frente à opinião pública. Na ocasião, uma menina branca, Thauane Cordeiro, relatou em seu perfil do Facebook ter sido repreendida em público por mulheres negras ao usar um turbante. Segundo sua publicação, foi alegado que o uso do turbante por uma pessoa branca não teria legitimidade devido à peça ser um símbolo da identidade negra. Recorrendo a termos como “apropriação cultural” e “lugar de fala”, o caso provocou discursos tanto de emancipação quanto de intolerância a partir do embate sobre essa legitimidade. O fato ganhou vulto e polarizou formadores de opinião e ativistas dos movimentos negros e feministas a partir da hashtag #VaiTerTodosDeTurbanteSim, proposta por Thauane Cordeiro. A partir desse caso, a pesquisa tem o objetivo de repensar o tema da apropriação cultural aliando emoções e códigos de afeto aos ditos atos de se apropriar. Investigo de que modo a formação subjetiva moderna e ocidental afeta o desejo pelo consumo de elementos de culturas ditas “exóticas”, tomando como corpus o caso do turbante e suas repercussões. Considero, então, a percepção de parte dos grupos oprimidos quanto a um suposto esvaziamento de suas narrativas justamente pela superficialidade com que seus símbolos são tratados na lógica do consumo; e investigo se a atual valorização do sentimento de empatia torna o consumo desses símbolos atraente ao indivíduo que se quer solidário, tornando a expressão de solidariedade uma forma de nutrir um capital afetivo (ILLOUZ, 2011). A análise em tela tem por objeto os discursos mobilizados na mídia acerca da ética da apropriação cultural e o modo como fomentam sentimentos de empatia. Metodologicamente, aplico uma análise de discursos a partir de um corpus de textos noticiosos e opinativos publicados na internet entre as datas da postagem de Thauane Cordeiro, em 4 de fevereiro de 2017, até 31 de dezembro de 2017. A seleção de enunciados tem base em quantitativo de audiência e engajamento mobilizados na internet. Quanto ao referencial teórico, fundamento-me no pressuposto da opressão como constituinte da identidade (BUTLER, 2018; HOOKS, 2019); na formação de identidades culturais na pós-modernidade (HALL, 2005); no conceito de socialidade das emoções (AHMED, 2014); na ética da apropriação cultural (YOUNG, 2000); no caráter pedagógico e tecnológico da empatia na atualidade (FREIRE FILHO, 2018); e na moral indolor (LIPOVETSKY, 2005b).
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JULIA PAES LEME NOGUEIRA
A Fotografia (Quase) Impossível: Jeff Wall e a Crença na Imagem
Orientadora: Victa de Carvalho Pereira da Silva
Resumo: A proposta desse trabalho é entender como o lugar da ambiguidade, do “quase”, na obra do renomado fotógrafo canadense Jeff Wall implica em uma relação em última instância de desafio a crenças instituídas em torno da imagem. Assim como na expressão “quase-documental”, observaremos as aproximações que sua obra faz, seja com o cinema, a pintura, ou – principalmente - com a própria fotografia para, a partir dessa aproximação, estabelecer as singularidades de suas proposições e alargar o conceito pelo qual entendemos a fotografia. Seguindo em grande parte textos e entrevistas do artista, nosso percurso desdobrará o contexto histórico no campo fotográfico, as influências e o espaço ocupado por Wall especialmente durante a década de 1970. A partir dos textos de George Didi-Huberman, Luiz Camillo Osório, Arthur Danto e Thierry De Duve, destacaremos as principais crenças que preestabelecem e determinam o ver, e a emergência na arte modernista de uma dimensão ética capaz de desafiá-las. Através das fotografias de Wall observaremos esse desafio ou convite como uma marca constante de seu trabalho, que nos permite refletir sobre alguns dos principais desafios do que chamamos de fotografia contemporânea.
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LEONARDO COUTO DA SILVA
O Cinema de Albert Serra: grandes personagens, histórias mínimas
Orientadora: Consuelo da Luz Lins
Resumo: Nesta dissertação são analisados quatro longas- metragens de ficção do cineasta catalão Albert Serra: Honor de Cavalleria (2006), O canto dos pássaros (El cant dels ocells, 2008), História da minha morte (Història de la meva mort, 2013) e A morte de Luís XIV (La mort de Louis XIV, 2016). Os filmes de Serra se destacam no cenário contemporâneo pela maneira singular de abordar personagens, fictícios ou históricos, cujas narrativas foram amplamente exploradas, habitando os mais diversos campos, como a história, a cultura popular e a arte. O cineasta catalão se inspirou livremente em figuras como Dom Quixote, os Três Reis Magos, Casanova, Drácula e Luís XIV na composição de seus trabalhos, removendo qualquer caráter épico que pudesse haver nas histórias desses homens. Percorrendo um caminho oposto ao da representação, Serra dilui as cadeias de significado conformadas de acordo com preceitos do discurso lógico, fundamentado na causalidade. Este trabalho mapeia os procedimentos fílmicos utilizados pelo cineasta para romper com a representação, buscando compreender quais os efeitos produzidos. Atravessando um percurso em que são adotadas diferentes perspectivas de análise, acionando múltiplos campos teóricos, observamos na obra de Serra o trânsito entre diversos pólos, que vão do realismo ao artifício, da paisagem ao rosto, da História ao cotidiano, da sensorialidade à abstração conceitual, do passado ao presente, e que fazem pensar a própria vida.
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MARCUS DE OLIVEIRA LOTFI
Mídias Hiperlocais e seus Efeitos Sociais a partir do Portal Voz das Comunidades e o Complexo do Alemão
Orientador: Henrique Antoun
Resumo: Esta pesquisa abordará os efeitos sociais das mídias hiperlocais tendo como objeto o portal “Voz das Comunidades”, do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro em três passos: o primeiro é fazer uma genealogia das mídias hiperlocais, bem como compreender como elas podem ser produtoras de efeitos sociais com base num referencial teórico. O segundo movimento desta pesquisa é analisar o fenômeno a partir de toda a trajetória do portal desde o seu início, em 2005, até os três primeiros anos pós-ocupação militar, em 2013. O terceiro e último passo é fazer um retrato atual do debate público carioca, o tratamento que a grande imprensa dá à cobertura das favelas atualmente e a estrutura de produção do portal “Voz das Comunidades” atualmente.
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MARIA EDUARDA LEDO MARTINS DE ABREU
Alimentação Saudável e Representações de Classe: as narrativas da saúde em um contexto sociocultural
Orientador: Igor Sacramento
Resumo: Este trabalho tem como enfoque a análise de narrativas acerca da alimentação saudável partindo de um recorte de classe na cidade do Rio de Janeiro. Inspirado nos princípios do habitus de classe de Bourdieu (2005, 2007), consideramos em nosso recorte não apenas fatores econômicos, mas também os aspectos socioculturais que envolvem a alimentação e a saúde nas representações e produção de sentidos do grupo estudado. Através de um trabalho de inspiração etnográfica (ROCHA; DAHER; SANT’ANNA, 2004), foram realizadas entrevistas em profundidade (BOURDIEU, 1997) com nove participantes que centralizavam as atividades alimentares de seu lar e que se encaixavam nas classes C ou D, segundo o Critério de Classificação Econômica Brasil (Abep, 2019). Foi então realizada uma análise discursiva das narrativas com base no conceito de dialogismo desenvolvido por Bakhtin (2017), de forma que esta pesquisa reconhece, nos enunciados e mediações que perpassam as narrativas dos sujeitos em comunicação (FRANÇA, 2006), um processo ativo de negociação simbólica, que explicita a ação da comunicação nos processos de representação da saúde. Os temas observados com mais recorrência nos relatos foram trabalhados ao longo desta discussão e, a partir deles, buscamos desmistificar questões de culpabilização e moralidade (CRAWFORD, 2019) acerca da alimentação nas classes populares, ressaltando outros fatores externos e sociais que influem em suas práticas e modo de vida.
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MARIA DE FATIMA TOMAZ
Nordestinos no Rio de Janeiro: a que será que se destinam? Representações, estereótipos e mídia
Orientadora: Raquel Paiva de Araújo Soares
Resumo: Esta dissertação pretende compreender como e quais são as representações dos nordestinos sobre a sua condição de migrante na cidade do Rio de Janeiro, assim como verificar se a narrativa estereotipada disseminada pela mídia no decorrer dos tempos contribui nessa construção e na sua relação com a cidade. A proposta surgiu da necessidade de contestar “verdades” estabelecidas sobre o Nordeste e sobre o migrante nordestino a partir do seguinte objetivo: Com base na discussão sobre a invenção do Nordeste (ALBUQUERQUE JÚNIOR, 2011), trabalha-se com a ideia de auto-atribuição e alter-atribuição de identidade (PENA, 1992) para debater as representações do nordestino que habita no município do Rio de Janeiro. Recorre-se também a Sayad (1998) para pensar o fenômeno migratório, que na teoria definida pelo Albuquerque Júnior (2011) com base, pela sua vez, na ideia de Orientalismo do Said (2007) e sua reflexão da criação dos opostos (Oriente-Ocidente), explicam a criação do Nordeste como uma invenção; sendo esse Nordeste pensado enquanto espaço regional diferenciado, e o nordestino enquanto uma identidade ao mesmo tempo fixa e diferenciada, ambos falados pelo Outro. Metodologicamente essa pesquisa tem um alcance descritivo, enfoque qualitativo e utilizou para a coleta de dados a técnica de entrevista semiestruturada, onde foram entrevistadas oito pessoas – contemplando a paridade de gênero –, todas migrantes nordestinas, moradoras da cidade de Rio Janeiro. A principal contribuição da presente pesquisa ao debate do campo da comunicação está na conclusão de que essas representações estereotipadas atrapalham as relações entre migrante e nativo. Concebe-se as redes migratórias (SOARES, 2004; GOZA, 2003; BRITO, 2015), ou seja, as redes sociais entre nordestinos morando no Rio de Janeiro, como elementos que chegam a intensificar os fluxos migratórios (ASSIS, 2003), dada a importância deste arranjo da própria decisão das pessoas saírem de uma região para outra. Entretanto, foi possível constatar, pelos relatos das pessoas entrevistadas, que, no mesmo passo que a existência das redes aproxima os nordestinos entre si, a representação estereotipada é um elemento que os afasta dos cariocas.
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MARIANA TEIXEIRA ELIAS
Pensar uma Imagem-guerra: Rabih Mroué e o modo revolucionário de fazer arte
Orientador: André de Souza Parente
Resumo: Esta pesquisa parte do estudo da obra do artista libanês Rabih Mroué e busca, através de uma investigação da relação do artista com a guerra-civil do Líbano e da Síria, pensar a respeito do que acreditamos ser um modo revolucionário de fazer arte. A partir de reflexões sobre a performance “Revolução em Pixels” e do estudo de conceitos elaborados por teóricos da imagem, buscou-se construir uma abordagem crítica e, ao mesmo tempo, poética sobre os modos de criar desse sujeito-artista, e do uso das imagens como arma, estratégia e testemunho. A partir das reflexões realizadas, pretendemos dar início à elaboração de um conceito que chamamos de imagem-guerra.
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MARINA BITTENCOURT DE CAMPOS
Judicialização, Mídia e Neoliberalismo: análise discursiva sobre a judicialização da saúde na imprensa
Orientador: Paulo Roberto Gibaldi Vaz
Resumo: Judicialização da saúde é o fenômeno de demandar o acesso à saúde pela via judicial; um indivíduo pode entrar com uma ação na justiça requerendo que o Estado forneça o tratamento necessário para a sua saúde. A judicialização da saúde teve exponencial crescimento nos últimos anos. Esse fenômeno se dá principalmente por esta ser uma nova forma de busca por saúde, que se configura a partir de uma nova percepção do direito do indivíduo sobre saúde e do dever do Estado em provê-la. Na sociedade neoliberal, há uma tendência à individualização em diversos aspectos da vida e a cidadania é diretamente afetada. O cidadão das democracias modernas, em um Estado de bem comum, cede lugar ao indivíduo da sociedade neoliberal, em uma relação de consumidor com o Estado provedor. Esta mudança da cidadania ecoa no direito social à saúde. A judicialização leva, também, à reconfiguração de papéis e poderes na área da saúde pública. O objetivo geral deste estudo é analisar a relação entre judicialização da saúde, neoliberalismo e discurso midiático. Para isso, reflete sobre como as características da racionalidade neoliberal assentam o terreno para o estabelecimento da judicialização da saúde como uma forma contemporânea de busca por acesso a saúde; e analisa os discursos e espaços na mídia sobre judicialização da saúde, focalizando em saúde pública. A pesquisa empírica está dividida em dois momentos: uma análise quantitativa de matérias da imprensa nos períodos de 2000 a 2009 e 2010 a 2019, comparando com a produção acadêmica sobre o tema dos mesmos períodos; e uma análise discursiva sobre as matérias do jornal O Globo que contêm os termos judicialização e saúde. O estudo elencou e analisou os argumentos utilizados, enquadramentos, predominância crítica ou favorável à judicialização, quais sujeitos tinham voz nas reportagens e em qual forma, se utilizavam personagens e qual tipo de texto – matéria, artigo de opinião, entrevista. Na análise das estratégias discursivas na imprensa, os principais argumentos favoráveis à judicialização demonstram os valores neoliberais na sociedade: o direito do indivíduo, não da coletividade, ao acesso ao tratamento, além da ênfase na ineficiência do poder público e na má gestão intencional do Estado, o que gera sofrimento aos indivíduos. Com a racionalidade neoliberal, a judicialização da saúde aparece como uma forma contemporânea de busca pelo direito à saúde.
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MICHEL MISSE FILHO
A Baía de Guanabara sob um Olhar Comunicacional: imaginário e narrativas jornalísticas de 1940 a 2018
Orientadora: Raquel Paiva de Araujo Soares
Resumo: Com o objetivo de olhar a Baía de Guanabara sob uma perspectiva comunicacional, este trabalho compreende, primeiramente, a fomentação de imaginários através de narrativas que trataram da baía no jornal O Globo, entre os anos de 1940 a 2018. Desde a época em que a poluição não era assunto de interesse público, até a consolidação da baía como pauta relevante do jornalismo ambiental carioca e brasileiro, passamos por personagens de uma história de exaltações, nostalgias, indignação, esperanças e desilusão com as condições socioambientais de um dos maiores símbolos do país. Recusando um olhar que separe assuntos ambientais e sociais, buscamos adentrar na relação do homem com a natureza a fim de abarcar a história de movimentos ambientalistas e do fazer jornalístico ambiental. Podemos, a partir daí, projetar a possibilidade de compreender a Baía de Guanabara como um lugar do “comum”, isto é, para além de assuntos estritamente ambientais ou relativos às obras de saneamento, usuais nas centenas de matérias que abordaram o tema ao longo das décadas. Essa concepção comunicacional e interdisciplinar nos leva a abarcar a baía de forma vascularizada, integrada ao tecido social da Região Metropolitana do Rio de Janeiro em suas diversas dimensões.
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PALOMA PALACIO MARCELINO
A Escrita Polifônica de Ceilândia no Cinema de Adirley Queirós: do território às paisagens distópicas de Brasília
Orientadora: Anita Leandro
Resumo: Este trabalho consiste na análise estética de quatro filmes do cineasta ceilandense Adirley Queirós: Rap, o canto de Ceilândia (2005), A cidade é uma só? (2011), Branco sai, preto fica (2014) e Era uma vez Brasília (2017). Com atenção para a polifonia de vozes orquestrada nesses filmes, analisamos as diferentes formas de encenar as falas e os corpos dos personagens de Ceilândia, em sua relação com a montagem dos documentos, arquivos e imagens do passado. Dessa forma, buscamos compreender a composição heterogênea de uma voz do território de Ceilândia, confrontada, nos filmes, às paisagens distópicas da história recente de Brasília.
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PATRICIA DE AGUIAR PAMPLONA
Cidade-alvo: fotografias aéreas do Rio de Janeiro (1930-1950)
Orientador: Mauricio Lissovsky
Resumo: A partir de um vasto e sistemático material fotográfico produzido por pilotos-observadores da Escola de Aviação Militar, entre 1930 e 1950, este trabalho busca refletir sobre um modo específico de ver o Rio de Janeiro: o ponto de vista aéreo. O acervo, que pertence ao Arquivo Histórico do Museu Aeroespacial, reúne centenas de fotografias aéreas de um período de intensas transformações urbanas da cidade: a verticalização de Copacabana, a construção dos aterros no centro e na Zona Sul, e a abertura da avenida Presidente Vargas, por exemplo. Parte da Zona Norte aparece como uma região rural, onde há núcleos urbanos ao redor das estações ferroviárias. A Barra da Tijuca, com restingas, mangues e nenhuma construção à vista, se revela um campo de tiro para o treinamento militar. Por que as imagens da cidade, derramada entre o mar e as montanhas – que tanto orgulham os cariocas e fazem parte da nossa cultura visual – não encontraram um lugar próprio no museu, ou fora dele, e permaneceram praticamente inéditas até hoje? Esta pesquisa sugere que a guerra foi um marcador importante para provocar questionamentos acerca das imagens aéreas. E por que a guerra? Buscamos mostrar a relação quase palpável entre as origens da fotografia aérea, os objetivos e os usos beligerantes desse tipo de imagem. Porém, a tensão entre quem vê e o que é visto – presente notadamente nas fotografias aéreas de conflitos armados –, já estava latente em tomadas aéreas de outros tempos, como na cartografia carioca do século XVI; na vista olho de pássaro das pinturas; nos panoramas circulares; e nas vistas panorâmicas da cidade: olhares sinópticos que obliteram os indivíduos. As imagens aéreas de conflitos usadas com a finalidade de aniquilamento escancaram as tensões presentes nesse ponto de vista. Ao refletir sobre a visada aérea, é possível ler as fotografias da paisagem carioca produzidas pelos alunos da Escola de Aviação não como um efeito colateral de um objetivo primário da preparação para a guerra. Elas criam e expõem os conflitos entre o poder público e grande parte da população, elemento invisível, porém presente em todas as imagens.
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RAFAEL DA SILVA LOPES
Campanhas Jornalísticas de Lima Barreto (1917 a 1922): um projeto político
Orientador: Eduardo Granja Coutinho
Resumo: A presente dissertação propõe-se a estudar a produção jornalística de Afonso Henriques de Lima Barreto, entre os anos de 1915 e 1922, como um projeto político formulado pelo escritor. Essa produção na imprensa deve ser contextualizada pela carência de uma rede que representasse uma visão contra-hegemônica às recentes mudanças político-sociais de seu tempo. Parto do pressuposto de que o grupo de literatos e jornalistas atuavam para a construção e manutenção da visão dominante, do ideário de modernização e progresso, na chamada Belle Époque carioca, como intelectuais orgânicos da nova classe, surge também vozes dissonantes. O “reformismo pelo alto” que representou a transição da Monarquia para a República acabou também por dar a tônica de uma produção intelectual que não levou em consideração os anseios dos movimentos populares, ou seja, um “divórcio entre povo e nação”. É a partir dos desdobramentos desses fatos, que Lima Barreto constrói a base de sua militante literatura. E são as fissuras das mudanças políticas, sociais, econômicas e culturais que ele vai perceber a possibilidade de se romper de vez com a velha ordem estabelecida. Dessa forma, Afonso Henriques de Lima Barreto percebeu o novo sentido social que essas mudanças deveriam imprimir à realidade: a ampliação e consolidação da sociedade civil era o a priori para a formação de um novo consenso democrático e nacional-popular. É nessa perspectiva que Lima Barreto defende a literatura como “o poder de contágio que a faz passar de um simples capricho individual, em traço de união, em força de ligação entre os homens”. E a imprensa e a literatura eram consideradas por Lima, naquele momento, o lugar das disputas de ideias. Por isso, a partir desse contexto, pode-se indicar que a obra do escritor carioca se apresenta como potência de ruptura, pensando um modelo de sociedade na qual as questões humanas, históricosociais, fossem de fato levadas em consideração, como base formadora.
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RAISSA SALES DE MACEDO
Videologia Ultrapolítica: o entretenimento televisivo na ascensão conservadora do Brasil entre 2014 e 2018
Orientadora: Suzy dos Santos
Resumo: Esta dissertação analisa as narrativas políticas presentes na programação de entretenimento da TV aberta do Brasil durante o período de 2014 a 2018, isto é, entre a reeleição de Dilma Rousseff (PT), o golpe que a depôs, em 2016, e a eleição do político de extrema-direita, Jair Bolsonaro. O objetivo é compreender a função assumida pelos discursos televisivos analisados nos processos político-eleitorais destacados, em especial a eleição presidencial de 2018. Para isso, foram selecionados os programas Fala que Eu te Escuto (RecordTV), SuperPop (RedeTV!), Pânico na Band e The Noite com Danilo Gentili (SBT), que vão da religião às entrevistas e ao humor. Como hipótese, sugere-se a existência de um discurso único e ultrapolítico - de rejeição ao sistema, à esquerda e ao Partido dos Trabalhadores - que teria contribuído para gerar despolitização e naturalizar a disseminação de ódio. Nesse sentido, entende-se que são produzidas “videologias”, ou seja, operações míticas realizadas pela mídia e atuantes na conformação de identidades, visando a integração dos sujeitos pelo olhar (BUCCI; KEHL, 2004). Assim, por meio de narrativas ideológicas que remontam questões “mal resolvidas” da formação social brasileira (como o punitivismo, o racismo e o ódio de classe), mas também a crise global de legitimidade da democracia liberal, os programas observados atuaram de modo a normalizar discursos discriminatórios, disseminar visões de mundo reacionárias e apoiadas em pânicos morais - cuja associação a uma variedade de pautas como corrupção, criminalidade e questões de gênero, foi capaz de suscitar e/ou amplificar frustrações, ressentimento e indignação popular.
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ROBERTO ABIB FERREIRA JUNIOR
Um Guerreiro Viril: as narrativas biográficas sobre a experiência de Reynaldo Gianecchini com o câncer
Orientador: Igor Pinto Sacramento
Resumo: Esta dissertação investiga a construção biográfica de Reynaldo Gianecchini a partir das narrativas midiáticas produzidas pelo, sobre e com o ator em relação ao período em que passou pelo tratamento de um câncer linfático entre 2011 e 2012. Investiu-se numa análise de diversos documentos da mídia como reportagens impressas, entrevistas televisionadas, vídeo publicitário e comentários e livro-biográfico, a fim de considerar a biografia de uma celebridade do ponto de vista comunicacional, debruçando-se não somente nas narrativas testemunhais do ator, mas também quem as construiu e quem às apreendeu se identificando e se reconhecendo nelas. Trata-se de um caminho metodológico que tem o objetivo de mostrar as múltiplas articulações entre o individual e o social na subjetivação de uma figura pública, entendendo a biografia como um circuito de comunicação. A pesquisa discute como as disposições e condutas do ethos terapêutico (autoconhecimento, motivação de si, administração dos afetos e a empatia) - que se espraia nas relações sociais e coaduna terapia, religião, ciência e crença num movimento narrativo em que o sujeito pratica a autorreflexão para a busca do bem-estar, saúde e segurança emocional - se expressam no tom e na transcrição em texto da voz, das movimentações e gestos, dos lugares descritos textualmente e das performances de Reynaldo Gianecchini em imagens fotográficas e em movimento que narram sua experiência com o câncer. Na perspectiva da saúde, as enunciações expressam um conceito sanitário contemporâneo no qual faz emergir um sentido de doença como uma possiblidade de se por à prova para superá-la. A experiência com a doença torna-se um momento de rever os hábitos e o estado emocional para imperar a autoestima como componente fundamental para o processo da cura. A partir da perspectiva da noção do sobrevivente em associação com a discussão da masculinidade do ator que atravessa sua imagem pública, neste período de tratamento do câncer, propõe-se que as enunciações revelam uma categoria de masculinidade contemporânea marcada pela autorreflexão, em que a manifestação da força e virilidade de um guerreiro é ressignificada na exposição pública da superação de suas vulnerabilidades, de uma experiência cujo sentido é de aproximação da morte. Neste sentido, os obstáculos espaço-temporal de uma jornada guerreira se alojam no trabalho de descoberta em si. Neste contexto, a subjetivação das celebridades contemporâneas se constitui na exposição pública das experiências de sofrimento e infortúnios para torná-las mais humanas e autênticas. Ao relatar a superação do câncer, Gianecchini deixa de ser um símbolo de perfeição e se coloca na condição das pessoas comuns, que sofrem e ficam doentes. Ao se colocar na posição de um sobrevivente, lugar digno de reconhecimento do público, a experiência do câncer do ator se configura como um ponto de ruptura biográfico, pois desde a infância à fase adulta, a construção de sua biografia é investida de uma personalidade guerreira e desafiadora diante dos obstáculos de uma vida inteira.
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VICTOR DO VALE TERRA
Sou Visto logo Existo: eficácia, imagens de si e a instrumentalização do outro no Instagram
Orientador: Marcio Tavares d’Amaral
Resumo: Em meio à crise referencial dos fundamentos e das metanarrativas, o culto da performance individual, o espetáculo e a exposição de si consolidam o visível como critério de comprovação da existência do indivíduo da contemporaneidade. Dentro e fora das redes virtuais midiáticas, nos produzimos em narrativas imagéticas cujo objetivo principal é capturar a atenção do outro. Diante desse quadro, a presente pesquisa toma a rede social Instagram como dispositivo estratégico para investigar que relações e produções de sentido estão sendo articuladas entre os indivíduos por meio das imagens de si publicadas no app. Entre os pressupostos teóricos, consideramos o nexo entre subjetividade e visibilidade nos processos de produção de si, a implicação de agências humanas e não humanas nos processos sociais e a eficácia como pilar filosófico de nosso tempo. A partir do método genealógico, o trabalho busca mapear as condições de possibilidade das práticas narrativas autobiográficas no cenário do neoliberalismo contemporâneo. Propõe-se uma comparação com o paradigma disciplinar moderno, do século XIX, de modo a localizar, a partir das análises dos diários íntimos e dos cartes de visite, aproximações e afastamentos que auxiliem na compreensão das narrativas de si produzidas na atualidade das redes sociais, em especial no Instagram. Lançamos mão de dados quantitativos (questionários) e qualitativos (entrevistas) extraídos de usuários do app, na intenção de ilustrar que tipos de vínculos subjetivos e intersubjetivos, isto é, entre o eu e o outro, têm sido possíveis em ambientes mediados por imagens de si, averiguando a hipótese de um outro instrumentalizado.
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XUEWU CHEN
Imagens da China no Brasil: representação cultural e produção discursiva do Fantástico (2008-2018)
Orientador: Igor Sacramento
Resumo: A presente pesquisa desenvolve-se em torno do tema “Imagens da China no Brasil”, com o objetivo principal de explorar como a China é culturalmente representada pela revista eletrônica Fantástico, da TV Globo, entre 2008 e 2018. Para fundamentar a pesquisa, recorremos às teorias da imagologia intercultural e da representação cultural. Metodologicamente, pomos em prática a análise da materialidade audioviusal e análise de discurso telejornalístico. Para a contextualização da pesquisa, damos importância à discussão sobre as imagens históricas da China no Ocidente, bem como a construção das imagens da China na globalização. Ademais, estudamos ainda a representação da China pela mídia brasileira e as características da revista eletrônica Fantástico. O trabalho empírico da nossa pesquisa consiste numa abordagem às quinze matérias referentes ao país oriental, produzidas pelo Fantástico. As reportagens são analisadas de acordo com três temas: “a China moderna e problemática”, “a China tradicional e cultural” e “o povo chinês”.
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WELLINGTON GERALDO SILVA
A Cor do Jornal: exclusão e inclusão do negro na imprensa brasileira
Orientador: Muniz Sodré
Resumo: Esta pesquisa debruça-se sobre movimento inédito no jornalismo brasileiro. O jornal Folha de S.Paulo, o principal do País em termos de circulação, decidiu criar uma Editoria de Diversidade e nomear uma jornalista negra para o importante cargo de Ombudsman. Pela primeira vez, um veículo da grande imprensa assume publicamente que a redação e o noticiário que produz são espaços de privilégios de pessoas brancas, e acena com mudanças. Este trabalho procurou analisar essas iniciativas e suas possíveis repercussões em termos de um jornalismo mais plural, que também contemple as vozes negras.
Durante o percurso desta pesquisa, evidenciamos o uso de variados instrumentos pelas elites nacionais para, desde a chegada, impedir a comunicação da população negra. Para sobreviver, africanos e seus descendentes tiveram que estabelecer novos vínculos comunitários, e desenvolver sistemas próprios de comunicação, como complexas redes de informação, que serviram de suporte para as rebeliões. Damos destaque aos jornais editados por negros no Século XIX e no Século XX.
Este trabalho analisa particularmente o papel da imprensa hegemônica no processo de silenciamento da população negra. Pudemos constatar as barreiras erguidas contra a presença de negros nas redações, o que resultou em uma imprensa feita por brancos para leitores brancos, e que, salvo o período anterior à abolição, esteve de costas para os negros. A abordagem que fazemos busca evidenciar que a ausência de negros permanece com principal problema da imprensa brasileira.
A parte final do presente trabalho apresenta, em detalhes, a inédita iniciativa da Folha de S.Paulo. Apesar do pouco tempo de implementação, algumas medidas já apresentam os primeiros resultados em termos de aumento de vozes negras.
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ANDREY RODRIGUES CHAGAS
Bicha preta, o que nos conta?
O aluno ainda não entregou sua dissertação.
CARMEN KEMOLY DA SILVA SANTOS
Revide Negro: a comunicação originária através do corpo-quilombo e a trajetória da
A aluna ainda não entregou sua dissertação.
DANIELA MOREIRA DE FARIA DE OLIVEIRA ROSA
Funk 150 BPM: baile, mídia e ritmo
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EVANDRO LUIZ DA CONCEIÇÃO
Por que esta Erva é Proibida? Diálogo sobre a legalização e descriminalização do uso da maconha Bezerra da Silva, Planet Hemp e Marcelo D2
O aluno ainda não entregou sua dissertação.
PEDRO MARTINS COELHO
O Movimento de Rádios Comunitárias e a Construção Contra-Hegemônica
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Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso - Histórico
REVISTA ECO-PÓS
v.24, n.03 (2021)
Apropriações e ressignificações na arte e no pensamento
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