Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso
 
 
 
// REVISTA ECO-PÓS


Apresentação 
Publicação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ e que está aberta a contribuições de pesquisadores da área da Comunicação e afins, os quais estejam empenhados especialmente em compreender as transformações e continuidades da vida sociocultural. A cada número, propõe-se um assunto central, a ser tratado na forma de um dossiê temático. Além disso, como o perfil da revista é generalista, também aceita-se o envio de textos sobre diversos assuntos (que podem ser publicados nas outras seções da revista) e resenhas de livros recém lançados. 

Próximos Números de 2018

21.1 - 50 anos de 1968

Há cinquenta anos, o ano de 1968 tornou-se emblemático por movimentos de distinta natureza que abalaram convicções e tradições solidamente estabelecidas. Todos os regimes político-sociais - capitalistas ou socialistas, democracias ou ditaduras; em todas as grandes áreas geográficas - Américas, Europa, Ásia e África - sofreram abalos e tiveram que encarar desafios imprevistos e inquietantes. Novos movimentos sociais irromperam de forma incontornável, formulando reivindicações até então consideradas como não prioritárias ou irrelevantes. Esboçaram-se novos paradigmas de mudança social, expressos nas lutas de estudantes e mulheres pela ampliação dos direitos democráticos, na elaboração de novos direitos, identitários (negros, indígenas), na disposição de exercer livremente opções sexuais (movimentos gays) ou comportamentos considerados desviantes (experiências que ampliavam a percepção humana) ou, no limite, construir modelos alternativos de vida. 

Em contraste, também foi notável a rapidez com que forças conservadoras - à direita e à esquerda - conseguiram deter e derrotar a maré montante daquelas lutas que pareciam de uma intensidade fora do comum, embora as questões suscitadas - e os movimentos que as formulavam - tenham permanecido até os dias de hoje como atuais e desafiadores. 

Os contemporâneos daqueles acontecimentos foram os primeiros a reconhecer que o mundo estava diante de fenômenos desconcertantes e inovadores, que se estendiam para além do ano de 1968 para abarcar uma grande conjuntura, a dos anos 1960, cujos marcos precisos ainda são objeto de controvérsia.

Em seu próximo dossier, a Revista ECO-Pós deseja suscitar o debate a respeito de todas estas questões. Convidamos, assim, todos os que desejarem refletir criticamente sobre estes anos, seus marcos temporais; os movimentos sociais que então surgiram, características, alcance e limites; processos específicos em áreas determinadas; personalidades de destaque; meios de comunicação e expressão utilizados; paradigmas de mudança social; forças políticas conservadoras que se mobilizaram em sentido contrário; legados presentes nos atuais movimentos sociais e vida intelectual. 

Que sejamos capazes de rememorar com sentido crítico aqueles anos para que melhore nossa compreensão do passado e nossa capacidade de enfrentar os desafios do tempo presente. 

Editor convidado: Daniel Aarão Reis - Universidade Federal Fluminense
Prazo para as submissões: 16 de março

21.2 - Realismo Especulativo

Em 2007, quatro filósofos apresentaram trabalhos na Universidade de Goldsmiths em Londres sob a bandeira do que eles mesmos chamaram de realismo especulativo: Quentin Meillassoux, Graham Harman, Ray Brassier e Iain Hamilton Grant. Embora tivessem sido percebidos, por vezes, como um grupo relativamente homogêneo, esses pensadores têm diferenças tão grandes que não se pode dizer que compreendiam uma única escola ou movimento filosófico. Suas obras, contudo, compartilham um mesmo ponto de partida: o primado da epistemologia sobre a ontologia que dominou a filosofia desde Kant a aprisionou no exame perpétuo das condições do pensamento. Ao se opor ao que chamam de “correlacionismo” (termo criado por Meillassoux para descrever o tipo de filosofia que fundamenta todo o pensamento sobre a interação mútua entre o ser humano e o mundo), os filósofos do realismo especulativo afirmam a existência de uma realidade independente de qualquer acesso humano, empreendem um retorno renovado à especulação metafísica, recuperam a obra de autores como Alfred N. Whitehead e William James, investem em novas ontologias, cosmologias e estéticas, e promovem uma nova pauta de reflexão filosófica na qual objetos ou entes não humanos assumem o protagonismo das questões teóricas e investigações empíricas. 

O objetivo deste dossiê é, justamente, estimular a reflexão a respeito desse campo filosófico emergente, conjugando-o com questões caras à estética, à comunicação e aos acontecimentos culturais contemporâneos. Diante da crise do antropocentrismo, o realismo especulativo acena com a possibilidade de uma série de desdobramentos em torno de questões como temporalidade, duração e afetos, caras a Gilles Deleuze. Paralelamente, e com diversos pontos de contato com as discussões envolvendo o realismo especulativo, surgem, na atualidade, novas reflexões e novas obras interessadas na investigação de atmosferas e ambiências fantasmáticas e ou sobrenaturais. No Brasil, destaca-se um conceito como o de perspectivismo, que torna mais complexo o binômio entre natureza e cultura. Como as discussões sobre ambiências e atmosferas elucidam o paradigma pós-humano e as principais questões levantadas pelo realismo especulativo? Quais são as relações entre as novas tecnologias e as manifestações estéticas anímicas? Seria possível falarmos de um realismo especulativo no cinema e na linguagem audiovisual? Como a virada especulativa lida e dialoga com a arqueologia das mídias e uma história dos objetos técnicos e mediáticos? Possíveis contribuições ao debate em torno desse paradigma emergente podem ser formuladas na declinação de temas como as relações entre o cinema e o animal, as atmosferas sobrenaturais, a arqueologia ou história das mídias, a ficção científica e o realismo especulativo, as filmografias indígenas, as ontologias e as cosmologias, entre outros estudos teóricos, campos e encontros possíveis.

Editores: Julio Bezerra (UFRJ) e Pablo Gonçalo (UNB)
Prazo para as submissões: 10 de junho de 2018

21.3 - Racismo 

“Nós não tivemos Ku Klux Klan, nem apartheid, nem casamentos proibidos entre negros e brancos, nem banheiros separados. Apesar do nosso racismo, tivemos e temos espaços de convívios, até entre árabes e judeus. Nossa mestiçagem é digna de registro histórico, houve de fato uma integração, uma mistura cultural”, disse o então assessor especial do ministro da Cultura Antonio Risério, em uma videoconferência entre Brasília e Washington em agosto de 2003. Se esse discurso tradicional da mestiçagem não tem a mesma eficácia que já teve em delimitar o que fosse possível dizer a respeito de “raça” e racismo no Brasil, é em parte resultado de décadas de trabalho de ativistas e intelectuais negras e negros para colocar em pauta as mazelas e sequelas da escravidão, da racialização e do racismo, e também garantir espaços de presença inéditos na sociedade brasileira - um exemplo disso é a recente celeuma em torno do filme Vazante, de Daniela Thomas, discutido publicamente por intelectuais e artistas negros e negras. O tabu branco em falar do racismo em espaços públicos diminuiu também em função da força de expressão cultural das populações afro-diaspóricas, potencializada pela globalização. Mas se o racismo se pratica discursivamente - no silenciamento do protesto e legitimação da fala dominante, na comunicação e no seu impedimento - ele também se realiza na violência que é o paroxismo do discurso racista e que continua a crescer, sem tabu. 

O dossiê do terceiro número de 2018 da revista ECO-Pós tratará do tema “racismo” como construção discursiva na conjuntura atual, em que a violência racista cresce no Brasil e no mundo. Visa abrir um espaço para discutir quais são os caminhos trilhados e a trilhar, na pesquisa em Comunicação no Brasil. Como relacionar esses caminhos a tendências e pensamentos surgidos alhures? Possíveis temas incluem, mas não se restringem a: 
- leituras das contribuições à discussão sobre comunicação e racismo de autores brasileiros como Abdias do Nascimento, Ana Maria Gonçalves, Angela Figueiredo, Alberto Guerreiro Ramos, Carolina Maria de Jesus, Carlos Hasenbalg, Edson Cardoso, Jota Mombaça, Kabengelê Munanga, Leda Maria Martins, Lélia Gonzalez, Maria Aparecida Bento, Marialva Barbosa, Milton Santos, Muniz Sodré, Nei Lopes, Nilma Lino Gomes, Sueli Carneiro, entre outros; 
- leituras das contribuições à discussão sobre comunicação e racismo de autores não brasileiros como Achille Mbembe, Angela Davis, bell hooks, Françoise Vergès, Frank B. Wilderson III, Frantz Fanon, Fred Moten, Grada Kilomba, Patricia Hill, Paul Gilroy, Stuart Hall, Toni Morrison, entre outros;
- o racismo nas mídias sociais e na televisão: como o debate se processa;
- jornalistas negras na grande mídia;
- branquitude e Comunicação;
- Intolerância religiosa e mídia;
- racismo e discursos artísticos (nas artes visuais, teatro, literatura, música e especialmente no cinema);
- Comunicação, técnicas de saúde e sobrevivência;
- racismo, Comunicação e singularidade nacional;
- racismo ou racismos? Os determinantes institucionais e culturais do racismo.

Editora convidada: Liv Sovik (ECO-UFRJ)
Prazo para submissões: 31 de agosto de 2018.
COMPARTILHE:
VISITE O WEBSITE
Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso - Histórico
REVISTA ECO-PÓS
v.21, n.02 (2018)
Realismo Especulativo
HORÁRIO DE ATENDIMENTO
De segunda a sexta-feira, das 11h às 15h.
Para maior agilidade de nossas respostas e processos, favor consultar este portal antes de fazer solicitações.
ENDEREÇO
Secretaria de Ensino de Pós-Graduação da Escola de
Comunicação da UFRJ.
Av. Pasteur nº 250 - fds, Urca, Rio de Janeiro.
CEP: 22290-240
TEL.: +55 (21) 3938-5075
UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro © 2014. Todos os direitos reservados