Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso
 
 
 
// TESES E DISSERTAÇÕES
DISSERTAÇÕES DE MESTRADO // DISSERTAÇÕES EM 2008
ANDRÉ CUSTÓDIO PECINI
Organização de Participantes e Conteúdo em Redes de Parceria na Internet: FórumPCs, Digg e Wikipédia
Orientador: Henrique Antoun.
Resumo: As redes de parceria – cujo conteúdo é produzido e organizado pelos próprios participantes – ganham crescente importância na Internet e destaque na pesquisa sobre as tecnologias da comunicação. Buscamos, neste trabalho, apresentar a complexa estruturação destas redes, passando por diversas etapas que por vezes se tornam obscurecidas em sua observação. O primeiro ponto a ser discutido é a concepção da ação mediada. Apresentamos brevemente o conceito de mediação técnica, introduzido por concepções modernas da técnica, a fim de marcar a posição da qual analisamos os objetos da pesquisa. Em seguida, tratamos dos protocolos de rede e das negociações técnicas e políticas necessárias à manutenção da Internet como rede descentralizada, mas nem por isso imune ao poder. A partir dos protocolos, passamos à discussão das arquiteturas de rede, onde o código exerce o papel de lei silenciosa que exerce influência significativa na ação possível em cada uma. Passamos das arquiteturas aos agentes, como porções de código sensíveis às informações que processam. Os agentes de software desempenham importante papel na seleção das informações e dos bens a que se tem acesso na rede, principalmente em sites de comércio; também têm papel importante na organização das redes de parceria por atuarem como delegados técnicos que calculam o valor da contribuição e dos votos dos participantes, ponderando-os de acordo com seus históricos. Tratamos dos perfis computacionais e dos pseudônimos como vieses pelos quais os participantes são interpelados nessas redes, em uma lógica diferente daquela onde imperavam as identidades. Assim, pretendemos mostrar o quanto as estruturas de rede são distantes de artefatos neutros, na mesma medida em que não determinam os resultados da comunicação que se desenvolve. Observamos três redes exemplares na Internet: o fórum de discussões FórumPCs, o agregador de conteúdo Digg e a enciclopédia Wikipédia. Verificamos que todos esses projetos incluem sistemas distribuídos de pontuação e votação, numa tentativa de tornar democrática a seleção do conteúdo. No entanto, identificamos episódios em todas as redes nos quais grupos de participantes foram acusados de ter vantagens em relação ao coletivo. As questões com que se deparam essas redes são usadas ao mesmo tempo para se discutir o funcionamento das organizações descentralizadas na Internet e como indício de que a extensão da pesquisa poderia colocar também em perspectiva outros modelos de avaliação de informações e conhecimento.
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ANA CARLA DE LEMOS BEZARRA
A Multidão como Referência para Sociedade Civil: do direito à comunicação aos casos de monitoramento da mídia no ciberespaço
Orientador: Henrique Antoun. Resumo: O termo “sociedade civil” freqüentemente está associado a uma esfera de articulação política da qual provêm formas de resistência em defesa da democracia e da emancipação social. Entretanto, as feições “imperiais” dos processos de globalização têm imposto sérias limitações à democracia e exigido a constituição de novos modelos de resistência para fazer frente à atual configuração de poder. Os autores Michael Hardt e Antonio Negri propõem o conceito de multidão como o “ator” político apto a empreender formas producentes e eficazes de resistência na atualidade. Entre as características da força multitudinária estariam a sua capacidade de se organizar e agir em rede a partir da “constituição do comum”, e de empreender atividades produtivas baseadas na colaboração e na cooperação. Neste trabalho, consideramos que a noção de multidão pode servir de referência para repensar a potencialidade da ação política e de resistência da sociedade civil. Partindo do pressuposto de que a estrutura disseminada e descentralizada do ciberespaço o torna um “ambiente” privilegiado para a expressão da potência multitudinária, buscamos analisar, a título de exemplo ilustrativo, duas iniciativas que se auto-intitulam experiências da sociedade civil e que desenvolvem atividades de monitoramento da mídia em ambientes virtuais: o Ombuds PE e o Ética na TV — ambos ligados à luta pelo direito à comunicação no Brasil. Com esta análise, pretendemos identificar algumas limitações do uso social e político que a sociedade civil faz do ciberespaço para agir em/com/a partir da multidão.
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ANA PRISCILA DE OLIVEIRA FREIRE
Cinema do Dispositivo Panóptico: narrativas de enunciação vigilante no cinema contemporâneo
O cinema sofreu profundas transformações formais e discursivas em função da proliferação dos dispositivos de vigilância na vida moderna, em particular dos anos 1990 em diante. Os âmbitos sobre os quais a vigilância se impôs são variados e o cinema não poderia ficar de fora deste movimento, por ser uma arte cuja qualidade reflexiva é inconteste. Os cineastas que optaram (e optam) por trabalhar, nos mais variados escopos com a questão da vigilância, o fizeram, sobretudo por uma necessidade de fazer do cinema um espaço de inflexão frente ao impacto do panopticismo nas sociedades modernas. Por meio da análise de cinco filmes com estéticas e diretores de nacionalidades diferentes, tentamos traçar um pequeno quadro do momento mais recente do cinema, contextualizado na vigilância. Estes filmes têm a vigilância como epicentro de suas construções narrativas, e ao mesmo tempo apresentam abordagens bem distintas. Em outras palavras, apontam caminhos para onde o modelo panóptico de Bentham atravessou: o voueyrismo-exibicionismo na exposição da intimidade em Double Blind (No Sex Last Night ); o viés psicológico da internalização do olhar vigilante em A Estrada Perdida; a influência nas subjetividades da relação sujeito visibilidade em O Show de Truman; a questão do cont role sobre a liberdade individual em Dez e por fim, a indecidibilidade da imagem em Caché. O interesse desta análise é cobri r vários âmbitos em que a enunciação vigilante se aplica e desenvolve.
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CAMILA BRAGA MEDINA
Anas e Mias: Subjetividade, Corpo e Cuidado nos blogs pró-ana e pró-mia
Orientadora: Fernanda Glória Bruno.
Resumo: Esta dissertação tem como objetivo analisar o fenômeno dos blogs pró-ana e pró-mia na Internet, ou seja, aqueles cujos autores se declaram a favor da anorexia e da bulimia como estilos de vida. Tomando como contexto a sociedade contemporânea, o trabalho propõe a problematização do fenômeno enquanto evidência de uma série de fatores ligados às novas formas de subjetividade, às novas maneiras de se lidar com o corpo e ao atual cuidado de si e do outro.
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CARLA BAIENSE FELIX
Entre Discursos: Mídia e subjetividade nos espaços populares
Orientador: Paulo Roberto Gibaldi Vaz.
Resumo: Neste trabalho refletimos sobre a representação da favela na grande mídia e sobre o esforço dos movimentos comunitários em produzir uma representação alternativa dos espaços populares. Nosso objeto de estudo é o bairro Maré, que reúne 16 favelas localizadas ao longo da Avenida Brasil, subúrbio do Rio de Janeiro. É neste espaço, marcado pela sociabilidade violenta e estigmatizado pela mídia, que se desenvolve um dos mais bem sucedidos projetos de comunicação comunitária, o jornal O Cidadão, feito pelos moradores e distribuído em todas as 16 localidades. Suas estratégias e efeitos sobre subjetividade local são discutidos a partir do referencial teórico, da pesquisa empírica nos jornais e das entrevistas com produtores e leitores da publicação. Os depoimentos revelam que, apesar de ainda resistirem a uma subjetividade ligada à favela, seus moradores contestam os discursos da grande mídia que, através da espetacularização dos fatos, da supervalorização dos problemas e da militarização do discurso, legitimam a violência contra as comunidades. A sensibilidade dos moradores reitera as conclusões obtidas na pesquisa sobre a imagem da favela no noticiário televisivo: a presença constante da polícia (em 52% dos casos) nas reportagens cria o lugar de risco na sociedade contemporânea e criminaliza a pobreza. Neste sentido, defendemos que a produção de discursos alternativos sobre a favela não apenas abre a possibilidade de uma outra representação, mas inaugura um novo horizonte de expectativa para seus moradores.
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CAROLINA SÁ CARVALHO PEREIRA
O Sofrimento em Imagens: uma história entre a fotografia e a política
Orientador: Paulo Roberto Gibaldi Vaz.
Resumo: Este trabalho tem como objetivo investigar os modos através dos quais a fotografia torna visíveis sofrimentos que imaginamos poder evitar e como, trazendo-os ao olhar, faz deles uma denúncia, um apelo à ação e a um projeto de futuro. A hipótese central é a de que as diversas formas através das quais a fotografia é utilizada para fazer do sofrimento um argumento político estão relacionadas a diferentes maneiras de olhar e se apropriar da experiência da dor. Essa hipótese pode ser divida em três partes: em primeiro lugar, a exposição do sofrimento com o objetivo de fazê-lo desaparecer pressupõe uma série de crenças sobre o que é a justiça, a responsabilidade e o poder do homem de agir para garanti-la - quais infortúnios são “injustos”; quais podem (ou devem) ser aliviados e evitados; quais são responsabilidade coletiva; quem é o “outro” que sofre e assim por diante. Em segundo lugar, estas questões são históricas, ou seja, há uma variação cultural naquilo que acreditamos ser desejável, possível e transformável no futuro. A tarefa é, mais radicalmente, problematizar a própria crença de que é natural e necessário que o espetáculo do sofrimento do outro seja o fundamento ético da ação coletiva. Questão que remete à introdução do argumento da piedade na política, no século XVIII, e à consolidação do que Hannah Arendt denominou “política da piedade”: uma política que, baseada na observação à distância do sofrimento e da miséria do povo, visa unir os cidadão em nome de um interesse coletivo. Por último, o mundo contemporâneo estaria diante de mudanças culturais significativas, as quais resultariam em uma crise do modelo da “política da piedade” e na prevalência de um novo modo de expor a dor, marcado pela utilização da fotografia privada, com o objetivo de gerar a mobilização pública. São rituais de luto transformados em acontecimentos políticos; álbuns de família e fotografias privadas de vítimas nos noticiários, nas camisetas de seus parentes ou em memoriais públicos; são os próprios parentes de vítimas que vêm a público com retratos de seus entes queridos mortos em nome de uma certa concepção de “justiça”. Para investigar essas questões construí este estudo em três linhas intercaladas e complementares: a do sentido do sofrimento, a da política e a da fotografia. A primeira investiga a moralidade na passagem da modernidade à atualidade, pensada segundo o nosso modo de imaginar o futuro e o nosso poder de agir para realizá-lo, e as outras duas acompanham seus desdobramentos na política e na representação do sofrimento através da fotografia. Como momento significativo da disputa da representação do sofrimento e marco do uso da fotografia privada como forma de denúncia, faço uma discussão da produção fotográfica na epidemia da aids. Por último, retomo as questões abordadas ao longo da dissertação na análise de quatro imagens do sofrimento materno: a “Madona dos cortiços” (1911), de Lewis Hine, a “Mãe migrante” (1936) de Dorothea Lange, “Tomoko no banho” (1971), de Eugene Smith e a imagem de João Hélio, a criança assassinada, estampada na camiseta de sua mãe (2007).
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CÁTIA CORRÊA GUIMARÃES
Jornalismo Desmanchado no Ar: o fragmento como método no discurso pós-moderno
Orientador: Márcio Tavares D"Amaral.
Resumo: O trabalho busca investigar uma certa coerência histórica entre a hegemonia de um ´jornalismo informativo` e a emergência de uma sociedade marcada por uma nova configuração do capitalismo e por uma crise de valores clássico-modernos como os de fundamento e verdade. Nesse sentido, esforça-se por desnaturalizar o método jornalístico conteporâneo, apontando sua objetividade e factualidade como uma nova forma de disseminação de ideologia, adequada ao novo contexto, e estuda caminhos possíveis para um jornalismo dialético, que vá além do fato em si e não ignore as contradições da realidade.
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FELIPE FESSLER VAZ
Elementos da arte sonora
Orientador: André de Souza Parente.
Resumo: Esta pesquisa investiga a produção artística contemporânea que vem sendo denominada como sound art ou arte sonora, e busca traços comuns que possam delimitar o uso do termo e caracterizar tal produção. Este trabalhou buscou, para isso, mapear experiências que possam ter antecipado os questionamentos e formatos destes trabalhos mais recentes na história da música e das artes plásticas, e este mapeamento permitiu identificar experimentos pioneiros em ambos os casos. Com base nisto e na bibliografia, pode-se concluir que talvez seja antes um movimento de apropriação de um rótulo por interesses ligados ao sistema de circulação das artes plásticas do que pela introdução de novas formas de pensamento em relação à arte e à música.
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GLAUCE DE SOUZA CAVALCANTI
Identidade Midiatizadas: O papel das viagens na constituição da subjetividade contemporânea
Orientador: Mohammed ElHajji.
Resumo: Esta dissertação procura refletir sobre como as viagens e os diferentes perfis de viajantes na forma como se desenham na contemporaneidade influenciam a constituição da identidade do sujeito. A pós-modernidade reúne uma combinação de condições nunca antes experimentadas por outra geração. A globalização, com a quebra da barreira de espaço-tempo, das fronteiras socioculturais e a condição de incerteza permanente do indivíduo e seu tempo estão entre essas condições. É justamente o contexto de insegurança e a obrigação de se estar sempre em movimento que alimentam a formulação de novos tipos de viajantes e viagens. São mudanças profundamente ligadas ao processo de formação identitária, influenciadas ainda por fatores como o consumo, o multiculuralismo e o hibridismo, que colaboram para essa transformação. A definição de turista e vagabundo, proposta por Zygmunt Bauman (1998), como metáfora dos heróis e vítimas da pós-modernidade, funcionam como ponto de partida para a definição dos perfis e dos caminhos percorridos pelos novos viajantes descritos nesta pesquisa.
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HELEN PINTO DE BRITO FONTES
O Espetáculo da Representação do Telejornalismo na Propaganda Política
Orientadora: Ana Paula Goulart Ribeiro.
Resumo: Este trabalho de pesquisa e estudo parte da hipótese de que a atual propaganda política na televisão utiliza-se vastamente de elementos do telejornalismo brasileiro na tentativa de promover credibilidade ao seu discurso e a seus agentes e, assim, convencer o telespectador/eleitor. Apresentamos marcas da estratégia enunciativa do telejornalismo que acabam sendo apropriadas pela propaganda política, mais especificamente pelos programas da propaganda eleitoral gratuita, como tentativa de aproximação do real e assim, construção de credibilidade e autoridade junto ao eleitor. A partir da leitura de alguns autores percebemos que essa apropriação deve-se à tentativa de construção da realidade nacional através dos dispositivos jornalísticos audiovisuais, havendo uma utilização do jornalismo na propaganda como representação do real. Amparado pela pesquisa bibliográfica sobre Política e Comunicação, este trabalho aborda os conceitos de imagem e sua importância nas estratégias de persuasão da propaganda política. Temas como objetividade, autoridade e credibilidade ainda fazem parte do trabalho, assim como a estrutura da produção telejornalística no Brasil. No decorrer do trabalho surgem perguntas, como: O jornalismo já não é uma representação do real? Então, a propaganda que representa o jornalismo, representa o que? Estamos falando de espetáculo, ficção ou realidade?, que almejamos ser respondidas ao longo do texto com ajuda de material empírico. Para estudar a relação entre telejornalismo e propaganda política foram analisados os programas eleitorais das campanhas à presidência de Luis Inácio Lula da Silva, nos anos de 2002 e 2006. Assim, este trabalho pretende contribuir para uma reflexão crítica e contemporânea da relação entre Programas Políticos Eleitorais e Telejornalismo.
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HENRIQUE MOREIRA MAZETTI
Ativismo de Mídia: Arte, política e tecnologias digitais
Orientador: João Batista de Macedo Freire Filho.
Resumo: A cultura da mídia tem lugar cada vez mais central na organização da vida social. Por isso, ganham relevância práticas de contestação que tomam a mídia como ponto de partida para suas ações. Pretende-se, aqui, investigar determinadas características do ativismo contemporâneo brasileiro que, em sintonia com manifestações estrangeiras, ultrapassam a utilização instrumental dos meios de comunicação como forma de questionamento, ao trabalharem a mídia e a sua cultura como questões políticas em si mesmas. Estas atividades operam em diferentes mediações entre o consumo e a produção midiática, utilizando-se das potencialidades dos meios de comunicação e, em especial, daquelas abertas pelas mais recentes tecnologias de comunicação; do diálogo com a experimentação formal artística; e de um entendimento da ação política que orbita fora da esfera institucional e representativa, em atividades de ação direta que levam em consideração o prazer e o lúdico na capacidade de gerar transformações sociais. Além de uma revisão bibliográfica feita no intuito de abordar conceitualmente as práticas do ativismo de mídia brasileiro a partir de noções como “Mídia Tática” e “Culture Jamming”, a pesquisa ainda se ampara em estudos de caso sobre os coletivos Media Sana e Poro e sobre as redes MetaReciclagem e Mídia Tática. Esta investigação foi conduzida através da observação presencial das práticas, entrevistas em profundidade com seus promotores e acompanhamento de listas de discussão e outras ferramentas de conversação online utilizadas pelos ativistas de mídia brasileiros.
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IGOR PINTO SACRAMENTO
Depois da Revolução a Televisão: Cineastas de esquerda no jornalismo televisivo dos anos 1970
Orientadora: Ana Paula Goulart Ribeiro.
Resumo: Esta dissertação analisa o que criou as condições para a presença e para a participação de cineastas identificados com o Cinema Novo em dois programas jornalísticos da TV Globo nos anos 1970, Globo-Shell Especial e Globo Repórter. Partindo dessa discussão, o trabalho detém-se nos objetivos centrais: estudar os limites e as possibilidades de atuação desses cineastas formados num período de imbricação entre arte e política num sentido revolucionário, assim como as rupturas e as continuidades em relação àquela “estrutura de sentimento” dentro da maior empresa de televisão do país em tempos de ditadura militar. Para contar essa história, examino a produção da imprensa da época sobre os programas, os cineastas e a televisão em geral, considero as memórias de cineastas e de jornalistas que trabalharam para os programas e analiso documentários dirigidos por Eduardo Coutinho e por João Batista de Andrade para o Globo Repórter.
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JULIO CARLOS BEZERRA
Documentário e Jornalismo: Propostas para uma cartografia plural
Orientadora: Consuelo da Luz Lins.
Resumo: O objetivo desta dissertação é pensar a relação entre documentário e jornalismo a partir de uma perspectiva histórica. Ambos mostram, representam, e produzem a realidade. Ambos são categorias permeáveis e variáveis, modos de ver construídos historicamente por rotinas produtivas, por transformações sociais, por relações e interesses comerciais e políticos, por estéticas, metodologias e técnicas inventadas por diferentes movimentos. Ambos compartilham inúmeros pontos de contato nos processos históricos de significação, de mediação e de legitimação de suas narrativas. A proposta é trabalhar nesta multiplicidade que caracteriza o documentário e o jornalismo, propondo aproximações e estranhamentos entre eles. Assim, assumimos um lugar de problematização do próprio ato de definir estes domínios. O caminho a ser percorrido passa por um exame das práticas, dos modelos, dos protótipos, e das inovações que marcaram a história do documentário e do jornalismo. Passa também por uma analise sobre a ânsia de organização em termos de unidade que perpassa a formação histórica de ambos os domínios, pela constituição de um certo “lugar de fala” que os envolve em uma esfera de autoridade para explicar o mundo histórico; e pelo estabelecimento de um pacto narrativo que orienta a leitura de documentários e reportagens enquanto índices da realidade.
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JULIANA MARTINS EVARISTO DA SILVA
O Brasil nas Fotografias de Genevieve Naylor
Orientador: Maurício Lissovsky.
Resumo: No início da década de 1940, período de implantação de um olhar moderno em consonância com várias estéticas modernistas, estava em curso uma disputa acerca de qual imagem do Brasil se projetaria para o futuro. A proposta de nossa dissertação consiste em estudar tal disputa a partir das fotografias de Genevieve Naylor. A fotógrafa veio ao Brasil sob os auspícios do OCIAA, como uma boa vizinha, com o intuito de promover afinidades culturais entre os Estados Unidos e o Brasil durante a Segunda Guerra. Em 1943, as imagens brasileiras de Genevieve foram expostas no MoMA, construindo uma imagem do Brasil como um país que se modernizava, com uma população miscigenada e com alma carnavalesca. O olhar que Genevieve Naylor lançou sobre o Brasil encontra ressonância ainda hoje na forma como construímos nossa imagem.
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LEONARDO DE VASCONCELOS MACHADO RODRIGUES
Comunicação, Tecnologia e Estética: Épica de mercado: os 12 trabalhos de Hollywood
Orientadora: Ieda Tucherman.
Resumo: Nos anos 50, o mercado de comunicação norte-americano foi marcado pelas disputas entre a tradicional indústria cinematográfica e a ascendente indústria televisiva. Sentindo-se ameaçada pela popularização de um novo veículo e pela gradual diminuição das rendas das bilheterias, Hollywood experimentou remodelagens no dispositivo cinematográfico. Sua intenção era diferenciar ao máximo a experiência proporcionada pelo cinema daquela oferecida pelo televisor. O cerne desta estratégia foi o investimento no cinema panorâmico e no gênero cinematográfico que melhor se adaptava às grandes telas: o épico. Para entender o desenrolar dos acontecimentos do período, optei por uma abordagem bem ampla, de modo que o cenário norte-americano é reconstruído várias vezes. Ora privilegia-se o viés político, ora o histórico, ora o econômico, sempre observando as implicações que estes cenários exerceram sobre as formas tecnológicas e estéticas.
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PATRÍCIA DE OLIVEIRA GOUVÊA
Membranas de Luz: os tempos na imagem contemporânea
Orientadora: Kátia Valéria Maciel de Toledo.
Resumo: Estudo da temporalidade da imagem contemporânea através da apropriação do conceito biológico de membrana para pensar as imagens da arte como fronteiras provisórias que permitem um fluir do tempo, uma escritura temporal que apresenta diversas configurações. A partir de uma discussão sobre a aparente instantaneidade da fotografia, foi feito um esforço para deslocá-la desta leitura ontológica e situá-la no eixo das imagens-tempo. O conceito bergsoniano de duração é a base na qual apóia-se a análise de obras dos artistas selecionados (Agnès Varda, Alice Miceli, Abbas Kiarostami, Douglas Gordon, Georges Rousse, Kátia Maciel e Kim Sooja), onde as imagens se dão a ver como corpos vivos que apresentam uma ou mais categorias de apresentações do tempo: tempo-instantâneo, tempo-duração, tempo-memória, tempos-mortos, tempointerativo.
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PEDRO SANGIRARDI DUARTE
Discurso Político: A emergência do escândalo como narrativa midiática estrutural
Orientador: Milton José Pinto.
Resumo: Este trabalho consiste em uma análise dos processos envolvidos na discursividade do escândalo, esta que é predominante na intertextualidade midiatizada da política institucional e vem se estabelecendo como enquadramento interpretativo hegemônico nas construções cognitivas do eleitorado acerca da política. Com as ferramentas metodológicas da análise do discurso, em diálogo com outras contribuições teóricas, estudaremos os circuitos e dispositivos envolvidos na reprodução da narratividade do escândalo que, a partir da crise de 2005, dominou a cena discursiva da política brasileira. O propósito da dissertação é evidenciar os vestígios nas superfícies textuais das mensagens políticas como pistas para a compreensão ideológica das formas hodiernas de consenso eleitoral.
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RACHEL FONTES SODRÉ
Tintas nos muros: Um estudo sobre a produção de grafite no Rio de Janeiro
Orientadora: Janice Caiafa Pereira e Silva.
Resumo: As cidades são importantes espaços de vivência e de comunicação onde processos subjetivos significativos podem acontecer. Além das construções e do intenso fluxo humano e de veículos, as ruas dos centros urbanos também abrigam uma gama diversificada de signos visuais, imagens de origens diversas, com aspectos, finalidades e tamanhos igualmente variados. Esta dissertação tem por objeto um dos elementos que compõem o conjunto da comunicação urbana. Trata-se do grafite urbano contemporâneo que, na forma de painéis multicoloridos, personagens e letras elaboradas, prolifera pelos muros, viadutos e tapumes das grandes cidades. A partir da leitura de diferentes autores, pesquisa em diversas mídias e do trabalho de campo etnográfico, que incluiu entrevistas e a observação participante, apresento e analiso o grafite urbano contemporâneo, com enfoque especial nas produções cariocas, procurando recontar sua história, destacar seus principais aspectos e apontar seus principais personagens. Sempre tendo em vista a estreita relação que o grafite mantém com o espaço público da urbe, evidencio a tensão causada pela atual institucionalização de sua estética, incorporada ao mercado de consumo, ao circuito da arte canônica e à industria cultural.
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RICARDO CUTZ GAUDENZI
Entre a Plástica e a Sonoridade: um estudo de caso e pequena perspectiva histórica
Orientadora: Ivana Bentes de Oliveira.
Resumo: ‘Arte sonora’ é um termo relativamente novo, que abriga produtores de arte que não encontram no território da música retorno – estético e institucional – para suas ações. Este trabalho tem como objetivo investigar tais produções e remontar a alguns fatos que apontariam para uma possível história da arte sonora. Escolheu-se como ponto de partida a invenção do fonógrafo – o primeiro dispositivo de registro sonoro – e seu impacto na produção da música e a curiosidade despertada no mundo das artes. Entretanto, a história que revisitaremos aqui, de forma interessada, não é uma história desses dispositivos nas artes apenas, mas também uma análise dos processos de artistas como Russolo, Duchamp, Schaeffer e Cage. Lidos sob a luz de uma relação estreita com as artes visuais, apontam mais do que tentativas de renovação da música, revelando estratégias, táticas e ações que fomentam a passagem do plástico para a experiência sensorial direta – e o fazem através do som. Como fruto de minha vivência como artista e produtor de arte, questões sobre o uso do som no campo das artes foram surgindo. Assim, parte da minha produção, no grupo Hapax, e a de outros artistas, como Chelpa Ferro, Paulo Vivacqua e Marssares, são objeto desta análise. O deslizamento entre materiais, tecnologias e sensações abrigados em um amplo conjunto de ações artísticas envolvendo esculturas, instalações e performances – que resultam na criação e experiência de sons e sonoridades – será visitado.
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ROSANE SVARTMAN
De Dentro pra Fora de Cima pra Baixo: A formação de autores e a trajetória do núcleo de cinema do grupo Nós do Morro do Vidigal
Orientadora: Beatriz Jaguaribe de Mattos.
Resumo: Há mais de uma década atrás fundei, junto com Vinícius Reis, o núcleo de Cinema do Grupo Nós do Morro, na favela do Vidigal, no Rio de Janeiro. Em meio à onda de visibilidade na mídia que as obras de protagonistas da favela conquistaram nos últimos anos, fica a dúvida se o que importa é a perspectiva inédita trazida por eles, a biografia dos autores ou a qualidade artística de suas produções. E mais, em projetos e experiências nas favelas, responsáveis por muitas das obras que vêm a público, os objetivos sociais são geralmente tão importantes quanto os artísticos. Em um texto que é também uma reflexão sobre a trajetória do núcleo que ajudei a fundar em 1996, analiso artisticamente a obra de alguns dos autores do grupo e tento responder a seguinte questão: afinal, ajudei a formar autores?
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THOMÁS ROSA PINTO DE OLIVEIRA
O Estado Pautado pela Mídia: Um estudo das relações de poder ocultas no processo de criação do mito midiático "Marcinho VP"
Orientador: Muniz Sodré de Araujo Cabral.
Resumo: Esta dissertação tem como principal objetivo o estudo das relações de poder ocultas no processo midiático que fizeram com que o, então, anônimo e pouco poderoso traficante Marcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP, se tornasse o número um na lista de criminosos foragidos mais procurados pela polícia do Rio de Janeiro. Analisaremos os motivos que fizeram com que o Estado baseasse suas ações nas narrativas jornalísticas e não na real conjuntura social. Buscaremos, assim, compreender a forma como ocorre a construção do “real” e da “verdade” pela mídia. Por meio do estudo do caso de Marcinho VP, também, iremos problematizar e refletir sobre as conseqüências sociais resultantes do fenômeno da criação midiática de “criminosos-monstros”. Essas narrativas jornalísticas que apresentam os criminosos das favelas como seres diferentes em essência (e não em contingência) contribuem para que os pobres carreguem o estigma de classe-perigosa, aumentam as barreiras sociais que separam os guetos do resto da sociedade e servem como legitimadoras da violência policial dentro das favelas. Portanto, pretendemos desvelar algumas das estratégias e disputas pelo poder que estão ocultas nos discursos da mídia, na tentativa de melhor compreendermos as reais dimensões do desafio social que é o problema da violência urbana nas grandes cidades brasileiras e, em especial, no Rio de Janeiro.
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Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso - Histórico
REVISTA ECO-PÓS
v.20, n.2 (2017)
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