Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso
 
 
 
// TESES E DISSERTAÇÕES
DISSERTAÇÕES DE MESTRADO // DISSERTAÇÕES EM 2017
ANA BEATRIZ RANGEL PESSANHA DA SILVA
Comunicação e Gênero: as narrativas dos movimentos feministas contemporâneos
Orientador: Giuseppe Mario Cocco
Resumo: Este trabalho tem como objetivo o mapeamento e a análise das narrativas emergentes do feminismo contemporâneo nas redes de comunicação, buscando diagnosticar as tensões entre elas dentro de uma perspectiva sobre as continuidades e descontinuidades das formas de luta e de produção de subjetividade do par modernidade/pós-modernidade. A investigação se concentra em examinar como essas narrativas mobilizam conflitos entre os conceitos de representação/performance, igualdade/equidade, identidade/diferença para entender o que essas transformações representam para a história do projeto político do feminismo e para as formas de vida acionadas no tempo presente. Como objetos de pesquisa principais estão as narrativas autobiográficas femininas compartilhadas nas redes, desde as revistas feministas online independentes até os relatos pessoais usados como arma política das campanhas contra o assédio sexual, passando pela análise de como essas reivindicações se adaptam aos discursos do mercado e das políticas de esquerda.
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ANA CAROLINA CORREIA PINTO DA SILVA
Querida, Encolhi a Programação das Crianças: fluxos comunicacionais da programação infantil na televisão brasileira
Orientadora: Suzy dos Santos
Resumo: Este trabalho investiga as mudanças da grade de programação infantil na televisão aberta no país, chegando à sua quase extinção e consequente migração para canais de televisão por assinatura e para a web. Com base em autores dedicados aos estudos da de infância, como David Buckingham e Neil Postman; que pesquisam sobre mídia, como Jesús Martín-Barbero e Dominique Wolton; e de Economia Política da Comunicação (EPC), como Vincent Mosco e Dallas Smythe, busca-se analisar como se estruturam os interesses do mercado em modificar os fluxos comunicacionais para o público infantil, e de que modo o Estado, através de políticas públicas mais eficazes, pode atuar para garantir o direito à comunicação para as crianças. Assim, pretende-se também compreender essas mudanças e a maneira como elas vêm influenciando as transformações na infância e no consumo.
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ANA PAULA POTENGY GRABOIS
A Fuzarca como Mercadoria: as influências das regras do poder municipal e do patrocínio privado sobre os blocos de rua do Rio de Janeiro
Orientadora: Liv Sovik
Resumo: O carnaval de rua do Rio de Janeiro passou a ser organizado através de uma parceria público-privada desde 2010, seguindo regulamentações editadas a partir de 2009. Neste trabalho, analisamos as normas que a Prefeitura do Rio de Janeiro criou no período da gestão Eduardo Paes (2009 a 2016), quando é inaugurado este arranjo com o setor empresarial para a organização da festa. O interesse foi discutir como esse novo modelo foi adotado em um contexto de uso da cultura para impulsionar a economia e o turismo, gerando reflexões sobre os impactos dessa política cultural sobre os principais atores envolvidos na festa – prefeitura, empresas, blocos e foliões. O cenário, a partir da década de 2000, foi de forte crescimento do carnaval de rua; procuramos entender como esse movimento ocorreu com o surgimento de agremiações e a multiplicação de foliões e turistas. Ainda buscamos traçar uma relação entre as reformas urbanas e festa ao longo da história da cidade, incluído a empreendida na administração Paes. As normas serviram, por um lado, para organizar a infraestrutura requerida na cidade para promover a festa na rua. Por outro, levaram ao surgimento de blocos não autorizados pela prefeitura, que desfilam pela cidade, especialmente no centro e zona sul, atraindo uma quantidade significativa de foliões. A partir de um breve histórico da festa na cidade, constatamos que a regulação sempre ocorreu, com formas distintas ao longo do tempo. Essas normas, proibições e regras influenciaram a criação de novas formas de brincar durante o carnaval ao longo do tempo. No entanto, a festa, cujas principais características são a sátira, a espontaneidade e a quebra de regras, sempre comportou formas não aceitas pelas autoridades, sejam elas a polícia ou a prefeitura. O proibido sempre esteve presente no carnaval.
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BRUNA ZANOLLI
Espectros Feministas: contribuições para pensar o espectro radiofônico
Orientador: Henrique Antoun
Resumo: Esta pesquisa utiliza da bibliografia da Tecnociência Feminista para levantar os conceitos de Conhecimentos Situados e Objetividade Feminista presentes nas Epistemologias Feministas, com a finalidade de pensar práticas e possibilidades para o espectro radiofônico. Nos utilizamos da alegoria do ciborgue de Donna Haraway como libertação feminista e do conceito de Tecnofeminismo de Judy Wacjman para pensarmos algumas relações entre mulheres e tecnologias. Propomos o uso da noção de Espectro Livre para o gerenciamento de parte do espectro radiofônico a fim de garantir um maior acesso a este bem público aqui considerado como um bem comum mediado pela tecnologia.
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BRUNO FABRI CARNEIRO VALADÃO
De Sangue se Desenha o Atlântico: ´Terra em Transe` e as imagens dialéticas
Orientador: Mauricio Lissovsky
Resumo: Entendemos que Terra em transe (1967) continua sendo uma “aporia” dentro da cinematografia nacional e mundial. Seus recursos expressivos – extremamente precários materialmente – são riquíssimos em termos poéticos e filosóficos; eles transpõem a gramática cinematográfica, enveredando para uma “arte épica” (aqui entendido como uma modalidade de arte que busca nos signos ancestrais o seu substrato). É tarefa desta dissertação “jogar luz” sobre as sombras criadas por este verdadeiro “acontecimento cinematográfico”. Surgem daí as imagens dialéticas (conceito de Walter Benjamin) que, ao contrário do que o termo pode representar, não resultam em “imagens-síntese” de qualquer espécie, como no cinema eisensteiniano. Trata-se de uma dialética “pela metade”, “suspensa”, “imóvel” que rompe com a tradição do pensamento dialético. São imagens em movimento que tendem à imobilidade, revelando correspondências impensáveis na vida social (especialmente no contexto brasileiro e latino-americano), através da palavra poética, combinada ao gesto dos atores e à mise-enscène de Glauber Rocha. Para isso, evocamos alguns outros campos do conhecimento, como a filosofia, a literatura e a antropologia, para nos ajudar a dar conta deste fenômeno cinematográfico, singular em todos os sentidos. Nosso trabalho é sobretudo um convite a repensar a filmografia daquele que é considerado o nosso maior cineasta de forma mais rica expressivamente, multidisciplinar e "rizomática".
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FLÁVIA THAÍS SOBRINHO SOUZA DIAS
Feminismos nas Fanfarras de Rua Carioca: os estudos de caso do bloco Mulheres Rodadas e da brass band Damas de Ferro
Orientador: Micael Herschmann
Resumo: Apesar dos avanços sociais das últimas décadas, as mulheres seguem desempenhando um papel de menor destaque na sociedade, sofrendo vários tipos de preconceitos sociais. O movimento feminista no Brasil tem um histórico de lutas por cidadania e liberdade que vem ganhando um novo impulso no contexto atual. Entretanto, apesar dessa luta um dos universos culturais que ainda é pouco acessível às mulheres é o das fanfarras. Assim, a presente dissertação buscou analisar as representações femininas na música e na performance no mundo do carnaval carioca. O trabalho foi desenvolvido com o bloco Mulheres Rodadas e a banda Damas de Ferro, que se destacam no contexto das fanfarras cariocas. A dissertação analisa de uma perspectiva sócio comunicacional (de inspiração etnográfica) este conjunto de questões - a partir de uma abordagem qualitativa construída tomando como base especialmente observações de campo e entrevistas –, buscando problematizar de que forma as questões de gênero emergem como performatividade nesses blocos de fanfarras, isto é, os atores redimensionam através da performance musical as temáticas políticas e sociais associadas ao feminismo na cena cultural local.
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INDIRA RODRIGUES DE OLIVEIRA
Comunicação e Música: os agenciamentos do Jazz & Blues na Cidade de Rio das Ostras
Orientador: Micael Maiolino Herschmann

Obs: a aluna ainda não enviou cópia da dissertação.
JULIANA SILVA FONTOURA
Trens Urbanos: um estudo sobre as modalidades comunicativas no cotidiano das viagens de trem no Rio de Janeiro
Orientadora: Janice Caiafa
Resumo: A presente pesquisa se propõe a estudar as formas de comunicação existentes no ambiente dos trens na região metropolitana do Rio de Janeiro. Inicialmente exploramos aspectos da história da implantação da ferrovia no Rio de Janeiro até chegarmos aos dias atuais, nos quais o serviço de transporte urbano de passageiros é operacionalizado pela empresa Supervia. A partir de um referencial teórico composto por autores que trabalham conceitos que relacionam espaço e comunicação, de observação participante no ambiente dos trens, entrevistas, análise de documentos e pesquisa em mídias sociais, analisamos, através de viés sociocultural, a construção de processos comunicativos no quotidiano das viagens, evocando incidentalmente outros contextos, como o ônibus e o metrô. Examinamos as formas de transmissão das mensagens entre a concessionária e os usuários, bem como entre os próprios passageiros. E avaliamos, à luz dos conceitos de comunicação empresarial e imagem de marca, os principais canais de comunicação disponibilizados pela Supervia.
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LOUISE FERREIRA CARVALHO
O Que Pode um Corpo sem Cabeça? Entre a potência libertária e o real obsceno
Orientadora: Maria Cristina Franco Ferraz
Resumo: Partindo das reflexões de alguns filósofos, sobretudo Friedrich Nietzsche, Georges Bataille, Gilles Deleuze e José Gil, este trabalho objetiva explorar o paradigma da fragmentação na cultura moderna e seus desdobramentos na contemporaneidade. Entre o final do século XVIII e meados do XX, silhuetas corpóreas geométricas e contemplativas foram dando lugar a uma avalanche de corpos fragmentados, desconstruídos e decapitados, presentes tanto na cultura letrada e na arte pictórica quanto nos campos de batalha e nas mecanizadas engrenagens urbanas. Nesse palco estrelou uma série de imagens e narrativas sobre o tema, dentre as quais podemos assinalar os “retratos de guilhotinados” na Revolução Francesa, a obsessão oitocentista pelo episódio bíblico da decapitação de João Batista, o topos do “duplo” no período moderno, o Acéfalo batailleano teorizado em 1936. A transgressão da figura humana pautada no modelo antropomórfico divino não apenas evidencia a força da ameaça à coesão do “eu”; marca também um ambicioso projeto político de transformação do corpo e da vida. Esse momento histórico é colocado em paralelo com o campo midiático contemporâneo, quando imagens de corpos nus e decapitados, expostos em sua organicidade mais explícita, suscitaram questões envolvendo obscenidade e censura nas redes sociais. Consideramos que, atualmente, o corpo humano se reconfigura em meio a alguns paradoxos de ordem moral: ora cultuado em sua “boa forma” como imagem idealmente bidimensional, ora rejeitado em sua materialidade carnal por não se ajustar a tais padrões idealizados. O contraponto genealógico entre o tratamento do corpo na modernidade e a censura/permissão de certas expressões de vivências encorpadas na contemporaneidade pode fornecer pistas sobre os deslocamentos de alguns valores ligados às definições de “obsceno” e do próprio “eu” em diferentes épocas, acompanhando a configuração de um novo regime de poder-saber e de visibilidade.
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MILI BURSZTYN DE OLIVEIRA SANTOS
O Método Investigativo de Henri-François Imbert: Mise en Scène e montagem em No Pasarán, albúm Souvenir
Orientadora: Anita Matilde Silva Leandro
Resumo: O objeto desta pesquisa é o método investigativo do cineasta francês Henri-François Imbert, tendo como pressuposto que o acaso é um elemento chave que influencia a realização de seus filmes, desde as filmagens até a montagem. Elegemos o documentário No pasarán, album souvenir, por reconhecer nele a expressão do amadurecimento do método investigativo de Imbert, quando comparado aos dois filmes que o precederam. O documentário No pasarán, album souvenir aborda o êxodo espanhol de 1939, a partir de um conjunto de cartões postais pertencentes a uma mesma série, que o cineasta encontra entre os guardados de seus bisavós. O estudo se organiza em três etapas: identificação dos procedimentos que compõem o método; análise do processo de pesquisa e filmagem de No pasarán, album souvenir; análise da montagem do filme. Entre os principais aspectos do método cineasta, destacamos a aposta no acaso como produtor de encontros e de imagens. O estudo do processo de pesquisa e filmagem de Imbert, mostra como o cineasta constrói, no filme No pasarán, album souvenir, os personagens que o ajudam a contar sua história. A análise da montagem discute a opção do cineasta por valorizar os cartões postais em sua materialidade, resultando num filme em que predominam imagens estáticas.
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PEDRO HENRIQUE ANDRADE DE SOUZA
Nazaré, Beirute, Ceilândia: um itinerário por imagens e sons do trauma
Orientadora: Consuelo da Luz Lins
Resumo: Esta pesquisa tem por objeto obras de um cinema que busca tornar sensíveis e visíveis as fissuras na existência de quem teve seus corpos e comunidades atravessados pela violência de Estado. A partir das obras do cineasta palestino Elia Suleiman, da dupla de diretores libaneses Joana Hadjithomas e Khalil Joreige e do realizador brasileiro Adirley Queirós, investigamos como o dispositivo cinematográfico encontra meios para representar sofrimentos da ordem do traumático e, consequentemente, da ordem do que não pode ser representado. A partir das conceituações de Cathy Caruth sobre o trauma e de Eward Said sobre o exílio, verificamos a validade do trauma como categoria cultural e estética, mas também identificamos a capacidade do cinema em tensionar esse conceito e propor modelos para sua superação. A dissertação é dividida em três capítulos, um para cada cinematografia autoral analisada. Em cada uma dessas partes, propomos uma visada sobre os desdobramentos mais recentes do cinema nacional de cada país, a fim de problematizar modos anteriores de relação entre o cinema e as sociedades nas quais ele se desenvolve.
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PHILLIPPE SENDAS DE PAULA FERNANDES
Luzes Misteriosas Cruzam os Céus da Amazônia: memória e imaginário no fenômeno Chupa-Chupa
Orientadora: Marialva Barbosa
Resumo: A política intervencionista imposta à Amazônia durante a ditadura militar (1964-1985) deixou marcas profundas na região, que até hoje padece com os conflitos agrários e o desmatamento. O discurso ufanista alcançara a última fronteira do país, buscando a soberania nacional e a conquista do “gigantesco mundo verde”. Localizada no nordeste do Pará, às margens da Baía do Marajó, a pequena Ilha de Colares estava bem distante desse ciclo de desenvolvimento. No entanto, em 1977, militares chegaram à cidade para investigar um fenômeno inexplicável: luzes misteriosas cruzavam os céus, aterrorizando a população e transformando completamente a rotina do lugar. Moradores relatavam que ao serem atingidos pelo raio luminoso ficavam parcialmente paralisados, além de sentirem tontura e fraqueza. Todos temiam um ataque do Chupa-Chupa, como ficaram conhecidas as luzes, já que se acreditava que o sangue era sugado por elas. A imprensa local fartamente noticiou o fenômeno, que atingiu grande parte dos municípios da região do Salgado, chegando até a capital, Belém. Diante disso, surge esta pesquisa com o propósito de compreender o processo de formação de memórias em torno desse fenômeno, levando em conta também os imaginários que o atravessam. Para isso, debruçamo-nos nas edições de jornais publicadas em 1977 pela imprensa paraense, nos relatórios militares resultantes da investigação da Aeronáutica e nos próprios relatos daqueles que viveram o pavor dessas noites intranquilas e testemunharam a evolução das luzes pelos céus. Para uns, sinal dos tempos. Para outros, crendice, neurose coletiva. Há quem acredite em intervenção extraterrestre ou simplesmente não acredite em nada, apesar de ter presenciado os focos luminosos. Imersos nessa amálgama que envolve memórias, imaginários e mistérios, nos deparamos com um fenômeno que, 40 anos depois, segue despertando a curiosidade e inspira novas interpretações, transformando o município de Colares na capital ufológica da Amazônia.
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THAÍS INÁCIO REZENDE SILVA
Não Humanos a Partir de Imagens do Mundo: inscrições da Guerra, de Harun Farocki
Orientadora: Fernanda Glória Bruno

Obs: a aluna ainda não entregou cópia da dissertação.
Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso - Histórico
REVISTA ECO-PÓS
v.20, n.2 (2017)
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