Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso
 
 
 
// TESES E DISSERTAÇÕES
TESES DE DOUTORADO // TESES EM 2016
ANDRÉA CRISTIANA SANTOS
Travessias Comunicacionais de um Tipógrafo-Jornalista: José Diamantino de Assis e as tessituras do moderno
Orientadora: Ana Paula Goulart
Resumo: Esta tese analisa a produção comunicacional de José Diamantino de Assis no período de 1932 a 1969, a fim de compreender como este mediador conseguiu transitar pelo universo de uma cultura popular e jornalística no contexto de modernização da imprensa brasileira. Como questão de pesquisa, investiga-se de que maneira a produção desse tipógrafo pode evidenciar circuitos de comunicação entre uma imprensa localizada no interior e de regiões centrais do país que passava por processos de modernização. A partir de uma abordagem da micro-história, foram investigados rastros, indícios e fragmentos presentes nos impressos, escritos memorialísticos e documentação oficial para reconstituir as tramas comunicacionais engendradas pelo tipógrafo e jornalista. Com esta pesquisa, pretende-se demonstrar a possibilidade de construção de uma história dos sistemas comunicativos por meio dos fragmentos, com ênfase na trajetória de um homem comum que se apropria da cultura letrada e dos dispositivos técnicos para produzir mediações junto aos leitores das cidades baianas de Juazeiro e Itiúba. Verifica-se que José Assis se utilizou de um capital cultural proporcionado pelo saber técnico e a difusão de aparatos tecnológicos como a prensa tipográfica para se constituir como um homem de imprensa, um jornalista, e expandir uma cultura letrada por meio de impressos satíricos, composições musicais, jornais informativos e segmentados. Essa travessia ocorreu concomitante aos processos de modernização da imprensa e foi atravessada por relações arcaicas, contradições e tensões do campo social, cultural e político.
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BRUNO SOARES FERREIRA
A Reinvenção dos Arquivos da Capoeira: uma arqueologia audiovisual e biopolítica
Orientadora: Ivana Bentes Oliveira
Este texto apresenta uma arqueologia do poder e saber que se estabelece entre os praticantes de capoeira, as tecnologias audiovisuais e as instituições do estado brasileiro. Fazemos uma busca em meio aos arquivos que podem ser encontrados através da internet, utilizando o Google Imagens e as redes sociais Facebook e YouTube. Na primeira parte deste trabalho localizamos as produções audiovisuais pioneiras e, em seguida, destacamos a emergência de enunciados da capoeira existentes neste material que foi produzido pelos próprios mestres. Em seguida, discorremos sobre algumas das características fundamentais do material que está sendo produzido pelos mestres na atualidade. A partir disso, refletimos como os arquivos e a memória constituem-se em elementos fundamentais para os jogos estratégicos de saber e poder, apresentando exemplos da relação entre memória e história a partir de algumas logomarcas de grupo, de games e do filme Besouro (2009). Na segunda parte, analisamos as relações estratégicas desses sujeitos com o estado brasileiro desde o surgimento dos primeiros enunciados da própria prática até a atualidade e apresentamos um relato das experiências junto ao IPHAN de São Luís, Maranhão. Também procuramos entender como as estratégias e ações desses atores – praticantes e o estado brasileiro – conseguiram transformar a capoeira de crime a esporte, e posteriormente Patrimônio Imaterial da Humanidade.

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EVANDRO JOSÉ MEDEIROS LAIA
O Jornalismo em Equívoco: sobre o telefone celular e a invenção diferenciante
Orientador: Renzo Romano Taddei
Resumo: A partir da Teoria Ator Rede e do método da Cartografia de Controvérsias (LATOUR, 2005; LEMOS, 2013), faço um mapeamento das mudanças agenciadas pelo telefone celular na rede jornalismo, a partir de duas vivências etnográficas: a primeira, durante as manifestações contra a realização da Copa do Mundo, no Rio de Janeiro, em 2014, e a segunda, nas manifestações do movimento Black Lives Matter, em Nova Iorque, entre dezembro de 2014 e março de 2015. Nas duas situações acompanhei repórteres de televisão, mas também midiativistas e streamers, na tentativa de rastrear as associações emergentes. Assim como Bruno Latour cartografa a Modernidade a partir da controvérsia entre o cientista Robert Boyle e o cientista político Thomas Hobbes, no episódio da criação da bomba de ar e do método empírico na ciência, tomo como ponto de convergência a controvérsia que envolve a morte do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, em consequência dos ferimentos causados por um rojão que o atingiu durante uma manifestação, no centro do Rio, em fevereiro de 2014. Proponho abrir a caixa-preta que revela o caminho entre o feito e o fato, no intuito de apontar outros jornalismos, ou seja, outros cosmos possíveis de serem habitados, outros devires (DELEUZE, 1992) a partir de novas associações com o telefone celular. Neste sentido, os conceitos de animismo e de tradução agenciam reflexões sobre o procedimento jornalístico, além de controle convencionalizante, também como possibilidade de invenção diferenciante, para usar os termos de Roy Wagner (2010). O que aproxima a atividade do conceito de equívoco, de Eduardo Viveiros de Castro (2002, 2015), abrindo espaço para a proposta de um jornalismo como que seja acesso a outras perspectivas, uma tradução que se assume também como traição, comunicando a partir do repertório, mas também a partir das diferenças, em suma, o jornalismo em equívoco, um espaço-tempo no qual a diferença possa existir, sem reduções.
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JOSÉ CARLOS MESSIAS SANTOS FRANCO
“Saudações do Terceiro Mundo”: games customizados, gambiarra e habilidades cognitivas na cultura hacker
Orientadora: Ivana Bentes Oliveira
Resumo: A rede social Orkut (2004-2014) pode ter sido descontinuada, mas suas comunidades virtuais já abrigaram alguns dos grupos mais efervescentes dedicados à customização de jogos. Por seu histórico de compartilhamento de arquivos, colaboração entre jogadores e tutoria, esses usuários superaram a precariedade da infraestrutura brasileira de serviços de telecomunicação e informática, além de diferentes níveis de escassez (material, legal, educacional etc.). Eles inventam senão uma nova pelo menos uma diferente Cultura Gamer neste processo. A partir das comunidades dos jogos Pro Evolution Soccer (Konami, 2001), Guitar Hero (RedOctane/Activision, 2005) e World of Warcraft (Blizzard, 2004) na rede social, buscou-se destacar como a associação entre objetos técnicos e dinâmicas coletivas expressam a capacidade dos games de promover modos de letramento (Gee, 2015), empreendimentos criativos e estratégias de customização. O fruto destas investigações que formam o estudo de caso está contido no relato etnográfico feito a partir da observação participante nestes grupos e também de uma análise dos produtos derivados desenvolvidos nelas. Dentro do contexto brasileiro, esta pesquisa propõe um diálogo entre os autores do chamado capitalismo cognitivo, sobretudo a trilogia Império de Hardt e Negri (2005, 2009, 2010), e o debate sobre antropofagia e hibridismo proposto por Viveiros de Castro (2013a) para introduzir uma vertente pós-colonial da figura do pirata (Liang, 2014; Philip, 2005, 2014) e da cultura hacker. Desta forma, inspirado em uma noção de biopolítica trabalhada numa perspectiva marxista, procurou-se ancorar duplamente esta tomada da ideia de gambiarra tanto pelo viés político, quanto pelo cognitivo. Aliando o perspectivismo ameríndio com a noção de cognição corporificada presente em Varela, Thompson e Rosch (2001) e Kastrup (2007), este estudo traz o debate sobre tecnologia e materialidades para o âmbito da comunicação focando nos processos de mediação envoltos nas práticas de customização.
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JULIA SALGADO VALENTINI DE SOUZA E ALMEIDA
Entre Solitários e Solidários: o empreendedor nos discursos da Folha de S. Paulo (1972-2011)
Orientador: João Freire Filho
Resumo: Embora o empreendedor seja ubiquamente promovido como o trabalhador ideal da atualidade, são escassos os trabalhos que procuram problematizar tal processo discursivo a partir de um viés crítico. A presente tese objetiva suprir tal carência, através da análise de discursos sobre o/a empreendedor(a) no jornal Folha de S. Paulo entre os anos 1972 e 2011 – intervalo de tempo que compreende duas décadas anteriores e posteriores à abertura do mercado brasileiro à economia global. Com isso, intento compreender como esta subjetividade foi construída e apresentada neste período por um dos maiores e mais influentes jornais nacionais, atinando para as justificações morais e práticas de discursos que, em linhas gerais, promovem o empreendedor ao status de indivíduo mais adequado à contemporaneidade. A pesquisa pelas palavras “empreendedor” e “empreendedora” no acervo digital do periódico e uma revisão histórica sobre esta figura levaram à elaboração da hipótese de que estaríamos presenciando hoje uma diversificação da subjetividade empreendedora – não mais restritos à imagem do grande capitalista, os modos de ser empreendedor na atualidade são variados: do empreendedor digital ao coletivo, passando pela mompreneur, pelo empreendedor mirim, pelo intraempreendedor, pelo empreendedor social e pelo microempreendedor individual. As duas últimas variações são tomadas como objetos de uma análise mais esmiuçada, na qual examino os modos através dos quais a Folha de S. Paulo comunica e agencia essas novas categorias. Este recorte se justifica pelo fato de tais figuras solidária e solitária guardarem estreita conexão com o “novo espírito do capitalismo” e, portanto, espelharem muitas das atuais mudanças no universo do trabalho. A abordagem foucaultiana da governamentalidade e reflexões sobre as atuais transformações estruturais e morais de nossa sociedade (como as de Luc Boltanski e Éve Chiapello, Alain Ehrenberg e Richard Sennett, entre outros) constituem o embasamento teórico a partir do qual é possível perceber que o empreendedorismo se constrói não apenas como uma panaceia aos cenários de crise e de desemprego, mas ultimamente como alternativa para um “mundo melhor”, ainda que dentro do referencial capitalista. A modalização e a popularização do empreendedorismo permitem, enfim, que o sistema capitalista abarque mais pessoas em suas racionalidades e processos.
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JOÃO PAULO CARRERA MALERBA
Rádios Comunitárias no Limite: crise na política e disputa pelo comum na era da convergência midiática
Orientadora: Raquel Paiva de Araújo Soares
Resumo: A pesquisa explora a hipótese de uma crise estrutural nas rádios comunitárias brasileiras. Entre seus indícios destacam-se: a diminuição do ritmo de surgimento dessas rádios; a perda de protagonismo político junto às comunidades, movimentos sociais e poder público, e; os recentes desafios tecnológicos. Metodologicamente, a tese se baseia em dois planos de investigação: técnico-empírico (momento compreensivo) e teórico-morfológico (momento explicativo). No plano técnico-empírico, desenvolvemos duas pesquisas empíricas, relacionadas e interdependentes, junto às rádios comunitárias brasileiras (pesquisas qualitativa, de inspiração etnográfica e abrangendo dez estudos de caso, e quantitativa, com cem rádios, via questionário estruturado), além de observação-participante junto ao seu movimento político latino-americano e entrevistas semi-estruturadas com pesquisadores brasileiros e europeus do campo da Comunicação Comunitária. Já o plano teórico-morfológico envolveu extensas pesquisas bibliográfica, documental e conceitual. A hipótese de tal crise é verificada em quatro eixos de análise: ontológico-político; político-social; político-estatal, e; tecnopolítico. Entendendo rádios comunitárias como atores políticos de esquerda, a pesquisa parte da análise das mudanças ontológico-políticas no sujeito político-comunicacional e no campo da luta por direitos, ambos tensionados pela nova hegemonia de ação política (descentralizada, horizontal, afetiva, não representativa e em rede), que contrasta com o modo pelo qual as rádios comunitárias se organizam e agem politicamente. Já no eixo político-social, debruçamo-nos nas controvérsias em torno das rádios comunitárias no âmbito da sociedade civil: a deslegitimação social (“rádio pirata derruba avião”); a fragmentação do movimento político organizado (livres versus comunitárias), e; a instrumentalização religiosa e político-partidária. Para tal analisamos dois conceitos centrais para a Economia Política da Comunicação, pluralidade e diversidade, e recontamos sua constituição histórica como ator político. O eixo político-estatal constata haver um embate permanente com o Estado que, em todo mundo, tende a lhes negar direitos e reconhecimento jurídico. Isso foi concluído a partir de um panorama político-estatal mundial das rádios comunitárias, do detalhamento de sua situação legal em todos os países sul-americanos e do aprofundamento do caso brasileiro em cada um dos Poderes (Legislativo, Executivo e Judiciário) e do Aparato regulatório e repressor. Por fim, a análise das mudanças tecnopolíticas aponta que os novos desafios políticos das rádios comunitárias estão inseparáveis de disputas tecnológicas. Se, por um lado, as novas possibilidades tecnológicas do veículo rádio (rádio digital, webrádio, podcast, celular) ampliam a capacidade de ação política das rádios comunitárias, por outro, deslocam as disputas do nacional (empresas de radiodifusão) para a transnacional (corporações de telecomunicações) e do conteúdo (midiático) para à infraestrutura comunicacional (controle do espectro eletromagnético). Os resultados finais refutam nossa hipótese: as profundas transformações por que passam as rádios comunitárias são, na verdade, sobredeterminações de uma crise localizada na sua base e razão de ser: na própria Política (representativa, hierárquica, centralizada). Como resposta dialética, os novos modos de ser das rádios comunitárias já apontam para a convergência midiática, para a ação em rede e para a rejeição à instrumentalização em favor da autonomia política e do Bem Comum. Isso se verifica na figura conceitual do guardião de princípios, elemento essencial para o vínculo ético-político que sustenta a rádio comunitária: quanto mais sólido o projeto político, maior é a tensão para que o guardião de princípios deixe de ser uma pessoa ou entidade para ser o próprio coletivo que compõe a rádio comunitária.
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LARA LINHALIS GUIMARÃES
Uma Invenção de Jornalismo: ninjas, xamãs e outras perspectivas
Orientador: Renzo Romano Taddei
Resumo: Junho de 2013 deu visibilidade e fez surgir uma série de coletivos de midiativismo que buscavam comunicar as manifestações brasileiras insurgentes. No Rio de Janeiro – RJ, a Mídia Ninja destacou-se nacional e internacionalmente por transmitir os protestos via streaming, a partir de uma perspectiva de inserção radical na ação. Modos outros de fazer e pensar o jornalismo reverberaram dessa experiência, confrontando modelos legitimados pela academia e prática profissional. Considerando um recorte que compreende o período de junho de 2013 a julho de 2014, esta pesquisa buscou – em primeira instância – identificar essas novas visibilidades atreladas ao jornalismo, prioritariamente as urgências envolvidas no desenvolvimento da Mídia Ninja no Rio de Janeiro: os esforços de formação e manutenção do grupo, a teorização dos atores a respeito de suas práticas, o surgimento de controvérsias relacionadas a rotinas produtivas e posturas editoriais, e a atuação dos streamers no catártico-drama construído no leito de cada protesto. A partir de vivências de campo e entrevistas com diversos midiativistas no Rio de Janeiro, foi possível a compreensão de que a defesa das parcialidades do repórter no registro do acontecimento, bradada não raro pela Mídia Ninja e tantos outros coletivos de midiativismo, muitas vezes assume o viés de lente de aumento do real. A mesma presunção prevalece nas concepções mais tradicionais acerca do jornalismo, embora o lugar privilegiado de acesso ao real seja fora do acontecimento. De fato, as novas insurgências são potenciais no desencanto de valores de um jornalismo que é filho da modernidade, logo, do cientificismo que separa Natureza e Cultura, dado e construído. Também são potenciais na dispersão de outros pontos de vista sobre o mundo que não aqueles tradicionalmente reverberados nos meios de comunicação tradicionais. Entretanto, a combinação das duas tendências existentes – a que acessa o real de dentro, e a que acessa o real de fora – não necessariamente precipita algo que seja efetivamente poderoso. Por isso, buscou-se inspiração no xamanismo para a tessitura inacabada de uma nova alternativa conceitual, que implica consequentemente uma nova ontologia: o Jornalismo de Perspectivas.
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LEANDRO DE PAULA SANTOS
Entre a Virtude e o Risco: sobre religião e opinião pública
Orientadora: Ieda Tucherman
Resumo: Baseada em uma amostragem de correntes do debate público do Brasil e dos EUA na primeira década do século XXI, esta tese documenta a consolidação simultânea de dois diferentes regimes de leitura do fenômeno religioso em meio à cultura de massa de ambos os países. O trabalho se organiza como uma análise de práticas discursivas, a partir da reunião de evidências editoriais diversificadas e da identificação de marcos institucionais relacionados a esses movimentos, como o surgimento de centros de pesquisa, linhas de financiamento e associações de representação política. Tais indícios sugerem a existência de uma agenda positiva, composta por um conjunto de perspectivas médicas e científicas que apontam para benefícios de práticas como meditações, preces e transes, e concorrem para uma aliança entre as noções de espiritualidade e saúde. Essa tendência é paralela à agenda negativa, que consiste no crescimento de embates em torno da questão religiosa no terreno da opinião pública, tendo em vista sua árdua relação com o ideal do pluralismo democrático. Sondando afinidades entre esses distintos regimes de tratamento, o trabalho observa especificamente o papel instrumental atribuído à noção da fé. A tese busca assim registrar a consecução de formas do secularismo nos contextos investigados e a maneira como a categoria da fé vem a ser retoricamente neutralizada na grade da racionalidade política liberal.
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LUIZ FERNANDO DA SILVA
AsTelecomunicações no Regime Militar: a implantação dos satélites de comunicação no Brasil
Orientadora: Suzy dos Santos
Resumo: Esta pesquisa reconstitui o percurso da implantação dos satélites de comunicação no Brasil nas décadas de 1960, 1970 e 1980 mediante o contexto da reorganização da infraestrutura de telecomunicações. A ascensão dos militares ao poder em 1964, apoiado por setores da sociedade civil e do empresariado brasileiro vinculado ao capital internacional deu início à implantação de uma nova diretriz de telecomunicações, estabelecida pelo Código Brasileiro de Telecomunicações promulgado em 1962, denominado Plano Nacional de Telecomunicações (PTN), que tinha como objetivo a construção do Sistema Nacional de Telecomunicações (SNT). A implantação do sistema reorganizou a matriz de telecomunicações brasileiras e incorporou tecnologias de radiodifusão ainda não utilizadas no país, como foi o caso dos satélites de comunicação. Reside neste ponto a pergunta que este estudo buscou responder: qual a função dos satélites dentro de Plano Nacional de Telecomunicações? Para alcançar este objetivo, a pesquisa se dedicou à reconstituição do percurso político, econômico e tecnológico no Brasil e nas potências capitalistas ocidentais que levaram ao desenvolvimento, implantação e uso dos satélites de comunicação. A reflexão sobre o conceito de ideologia forneceu a base analítica para pensar sobre o uso ideológico dos satélites de comunicação. Uma das maiores contribuições trazida por este estudo consiste na apresentação e utilização de documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI) tornados públicos em 2013 por meio da Lei de Acesso à Informação e disponibilizados no acervo do Arquivo Nacional. Foram encontrados arquivos que detalham o escopo dos projetos de implantação dos satélites e também comunicações entre membros do governo de empresas estatais que expõe os interesses políticos e econômicos que motivaram a adoção da tecnologia de satélites pelo Brasil durante o regime militar. Até o presente momento, os relatos conhecidos sobre este período haviam sido produzidos por atores que haviam conduzido o Plano Nacional de Telecomunicações e, portanto, membros do governo naquele período. O conhecimento obtido através destes documentos colabora para elucidar um capítulo importante das comunicações brasileiras, possibilitando conhecer novos elementos sobre este período.
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PABLO DE SOTO SUÁREZ
Antropoceno, Capitaloceno, Chthuluceno: viviendo con el problema en Fukushima
Orientadora: Ivana Bentes
Resumo: En el espacio-tiempo de devastación ambiental anunciado por el Antropoceno, la catástrofe nuclear es un problema de límites difusos que desafía nuestra capacidad de comprensión. Está caracterizada por una invisibilidad doble, la propia de la radiación ionizante y la institucional, la afirmación por parte de las autoridades de que el problema “está bajo control”. Como antes Chernóbil, el desastre de la central de Fukushima Daiichi alcanzó el nivel máximo en la escala de accidentes, cuando tres reactores se fundieron a 200 kilómetros del área metropolitana más poblada del planeta. Tomando como marco teórico la discusión interdisciplinar del Antropoceno, y formulaciones críticas como el Capitaloceno de Jason W. Moore y el Chthuluceno de Donna Haraway, esta investigación indaga como humanos y otras criaturas están viviendo con el problema de una naturaleza-cultura alterada por la radioactividad en Fukushima. Con sus diferentes figuras y metáforas, Capitaloceno y Chthuluceno son propuestas alternativas al hegemónico Antropoceno para nominar nuestra época, que traen consigo otras ontologías y epistemologías posibles desde la crítica Marxista contemporánea, el eco-tecno-feminismo y la etnografía multiespecies. Convirtiendo Antropoceno, Capitaloceno y Chthuluceno en aparatos analíticos y maneras de conocer la catástrofe nuclear, esta tesis propone una onto-epistemología procesual que construye una narrativa experimental sobre el significado de Fukushima en el contexto de la discusión sobre los desafíos ambientales en curso. Esta onto-epistemología fue posible mediante la creación de un espacio warburgiano de pensamiento donde trabajar al mismo tiempo con lo real y lo imaginario, las fuentes primarias y los estudios científicos, las obras de arte y la cultura popular. Este método de investigación, que denomino como Atlas SF, agrupa contenidos de medios heterogéneos, establece líneas de conexión entre diferentes disciplinas de conocimiento y ensambla relaciones conceptuales entre los distintos dramatis personae, objetos, lugares e historias.
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PATRICIA FURTADO MENDES MACHADO
Imagens que Restam: a tomada, a busca dos arquivos, o documentário e a elaboração de memórias da ditadura militar brasileira
Orientadora: Consuelo da Luz Lins
Resumo: A pesquisa realizada no âmbito do doutorado tem como objeto imagens cinematográficas produzidas durante o período da ditadura militar brasileira (1964 a 1985) coletadas em acervos públicos e privados no Brasil, no exterior e retomadas pelo cinema documental a partir dos anos 1970. Propomos uma análise histórica e estética a fim de reconstituir as trajetórias desses arquivos visuais, dos cineastas engajados que os produziram, assim como de homens e mulheres que foram filmados por eles. Interrogamos quem eram essas pessoas e como foram afetadas pela ditadura. Inspiramo-nos nos métodos dos historiadores Daniel Arasse, Sylvie Lindeperg e Carlo Ginzburg ao nos deter nos pormenores e analisar as imagens em seus detalhes para cruzá-las a documentos produzidos pela repressão, entrevistas e testemunhos de quem viveu o período. O método prático que se constituiu ao longo da pesquisa consistiu em seguir os caminhos das imagens desde a tomada até a retomada, analisar os olhares portados sobre elas, observá-las atentamente na espera que o detalhe pudesse aparecer e tornar visível o invisível. O intuito foi compreender de que modo o ato de empunhar a câmera para produzir imagens testemunhais pode colaborar para a elaboração de memórias políticas e coletivas. O objetivo principal foi mostrar como imagens que sobreviveram à perseguições da censura, da polícia, à clandestinidade, às ações do tempo podem ser usadas para trazer à tona histórias de vidas negligenciadas e esquecidas durante e após o regime de suspensão democrática, assim como evidenciar a tarefa política do pesquisador de buscar os rastros que deixaram. Desse modo, mostramos o papel do cinema de iluminar opacidades, além de ressaltar a sua importância na resistência ao autoritarismo.
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RACHEL BERTOL DOMINGUES
A Crítica Literária em Circuitos Jornalísticos: José Veríssimo na imprensa da “belle époque” carioca (leitor ideal de Machado de Assis)
Orientadora: Ana Paula Goulart Ribeiro
Resumo: O trabalho objetiva investigar a prática da “crítica literária na imprensa” a partir do enfoque comunicacional, deslocando o ponto de vista com que o tema costuma ser abordado na área de estudos literários. Utiliza-se o conceito de “circuito comunicativo” jornalístico para reconectar a crítica às demandas dos periódicos onde inicialmente foi publicada, em vez de analisá-la somente pelo fluxo de ideias que apresenta. Assim, buscase reconstituir os circuitos de atuação do crítico José Veríssimo (1857-1916) em periódicos cariocas da Primeira República. Um dos três principais críticos de seu tempo, ao lado de Sílvio Romero e Araripe Júnior, foi entre esses o de maior atividade em jornais e revistas do Rio de Janeiro na chamada belle époque tropical. A expressão “circuito comunicativo” é tomada de empréstimo de Darnton, a partir das formulações sobre o circuito editorial francês no século XVIII, mas deriva aqui principalmente da ideia de “rede discursiva” desenvolvida pelo alemão Friedrich Kittler no seu estudo clássico sobre as redes discursivas 1800-1900. O autor investiga as condições que levaram à voga da figura do crítico literário no romantismo alemão, quando se consolidou a prática hermenêutica, assim como analisa seu declínio na rede 1900, marcada pelo impacto de tecnologias como o telégrafo, a máquina de escrever, o gramofone, o filme. Com base na materialidade da comunicação, ideia retomada por Gumbrecht a partir de Kittler, este busca reconstituir “instantâneos” a fim de conhecer a rede discursiva em diferentes momentos. Trata-se de observar como se constitui o sentido, em vez de interpretá-lo como ponto de partida. No caso de Veríssimo, a pesquisa quer “flagrar” o crítico nas redações jornalísticas onde trabalhou. Além dos periódicos, utiliza-se como fonte primária sua correspondência, especialmente o conjunto de 180 cartas enviadas a Oliveira Lima de 1896 a 1915. O material foi obtido na Oliveira Lima Library, na Universidade Católica da América, em Washington. Cruzando (novos) dados sobre Verísssimo com aqueles dos periódicos, descortinam-se aspectos de um e outro: o crítico literário é figura demandada no esforço de construção de frentes oposicionistas na Primeira República; e os jornais de combate ao governo em que Veríssimo atuou (aspecto negligenciado de sua trajetória) buscam explorar linguagens a fim de estabelecer um novo tipo de comunicação com o público. O crítico literário fez parte dessas experiências, como aliado e muitas vezes como figura que apontou os limites dos diferentes projetos. Veríssimo foi pioneiro na crítica regular e profissional na imprensa brasileira. Sua atividade, entretanto, espelhando-se no modelo herdado do romantismo, impôs-se quando já se anunciava o fim mesmo desse modelo. O “crítico de rodapé” que se estabeleceu anos depois, tendo chegado a seu auge no Brasil nos anos 1940, foi uma figura mais “engessada” pelo espaço inclusive a que o jornal circunscreveu. Pensar a crítica literária na imprensa do ponto de vista comunicacional faz com que se tome a linguagem jornalística a partir da instabilidade que lhe é originária, pondo-a em confronto com as ambiguidades sugeridas pela própria “crítica”. Esta surge confrontada a demandas que explicitam muitos de seus mecanismos.

Obs: A doutoranda não disponibilizou a tese para consulta.
SILVÂNIA MINEIRA RIBEIRO SOTTANI
Biopolítica dos Afetos: alteridades ressentidas e a circulação da intolerância
Orientador: Renzo Romano Taddei
Resumo: A partir de inquietações sobre uma possível ascensão conservadora no contexto brasileiro, essa tese visa à defesa da categoria Biopolítica dos Afetos como ferramenta analítica para caracterizar a articulação entre Verdade, Afetos e Poder. Consideramos como pano de fundo a disputa em torno da racionalização do Ocidente, que deveria ter-nos levado a um mundo desencantado e secular, para aprofundar-nos na realidade do universo neopentecostal brasileiro, caracterizado por um crescimento exponencial nas últimas décadas, tanto numericamente, quanto em novos (e polêmicos) protagonismos nos espaços políticos e midiáticos. Com um recorte sobre a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), propomos um debate sobre como as construções contextualizadas das verdades evangélicas mobilizam a potência afetiva da juventude para circular, reforçando os seus próprios efeitos segregadores e exclusivistas. Para tanto, articulamos a potência afetiva, a partir de Spinoza e a Affective Turn, e a sua domesticação por dispositivos de poder que atuam na normalização das subjetividades, baseando-nos em Nietzsche e Foucault e alguns dos seus principais intérpretes contemporâneos, com destaque para Judith Butler. A partir da caracterização dos processos de subjetivação operados pelas narrativas neopentecostais, fortemente identitárias, propomos uma reflexão sobre as suas consequências para a relação com o Outro. Em especial, buscamos abordar o ressentimento como o principal afeto biopolítico mobilizado para a normalização das identidades e a consequente negação da Alteridade. Defendemos que o ressentimento, enquanto afeto que precisa de um terceiro, constitui móvel fundamental para tornar legítimas as práticas de intolerância descritas, no meio neopentecostal, como amor ao próximo. Esta proposta teórica ganhou corpo com evidências empíricas coletadas a partir de visitas para observação e entrevistas na Força Jovem Universal da IURD em Juiz de Fora, somadas a textos divulgados nos diversos canais midiáticos da igreja, que possibilitaram mapear os mecanismos de construção evangélica de toda uma série de inimigos a serem combatidos, assim como a forma como é articulada a superioridade moral dos fiéis capazes de salvar-nos deles. Com este percurso, para além das visões que consideram a potência emancipatória dos afetos, a tese defende o afeto como variável indispensável para a articulação poder-saber; em especial, o afeto do ressentimento para legitimar certos ideais normativos e, em consequência, toda uma série de violências.
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VINICIOS KABRAL RIBEIRO
Vida-Lazer: respostas sensíveis do cinema brasileiro ao espírito do tempo
Orientador: Denilson Lopes Silva
Resumo: Vida-Lazer é um termo êmico, que surge em Madame Satã (Karim Aïnouz, 2002) e reaparece na parceria de Aïnouz com o cineasta Marcelo Gomes, em Viajo porque preciso, volto porque te amo (2009). Tabu é a personagem que fabula inicialmente a expressão que dá título a este trabalho. Seu sonho é “comprar uma máquina Singer, de pedal, pra costurar as fardas do meu anjo de bondade, meu marido. E viver uma vida-lazer”. Já Patty, em Viajo Porque Preciso, deseja uma casa para ela e sua filha, um companheiro que a tire da prostituição, e assim viver sua vida-lazer. Nesses dois filmes em que aparecem noções similares de vida-lazer, partirei dos enunciados e discursos dos personagens, buscando extrair dessas obras um pensamento sobre gênero e elementos para a construção do conceito de vida-lazer. A dificuldade consiste em entender os sentidos dessa noção, como ela se amplia, de maneira a oferecer uma chave de compreensão da obra do Karim Aïnouz e de outros cineastas brasileiros. Colocaremos esses filmes em diálogo com O céu de Suely e Praia do Futuro (Ainouz, 2006 e 2014), Tatuagem (Hilton Lacerda, 2013) e O céu sobre os ombros (Sérgio Borges, 2010). Pretendemos, assim, contribuir, mesmo que minimamente, com o debate sobre as questões que mobilizam o cinema e o mundo contemporâneo, tais como as relações entre arte e vida, as novas formas de pertencimento e vinculação, os projetos de vida e a felicidade. O que é um personagem vida-lazer? Como esta noção e a fala de personagens se articulam com a ideia de felicidade, com os projetos de vida e o lazer no mundo contemporâneo? De que modo os atos de pensamentos e os discursos se relacionam no espaço do filme e para além dele? A hipótese é de que o cinema pode ser uma fonte de respostas sensíveis a essas questões e ao espírito do tempo.
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CARLA BEATRIZ BENASSI
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Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso - Histórico
REVISTA ECO-PÓS
v.20, n.2 (2017)
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