Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso
 
 
 
// TESES E DISSERTAÇÕES
TESES DE DOUTORADO // TESES EM 2015
DANUBIA DE ANDRADE FERNANDES
Mulher, Mulata e Migrante: modalidades representativas de uma tripla alteridade em jornais da Europa
Orientador: Mohammed ElHajji
Resumo: O objetivo principal desta tese é analisar as modalidades de representação de mulheres brasileiras, negras e migrantes nos jornais da Europa. Nosso percurso teórico tem como ponto de partida a investigação desta tripla alteridade a partir de perspectivas históricas, sociológicas e filosóficas. Neste sentido, a “mulher, mulata e migrante” é cartografada em análises que percorrem os estudos de gênero e de pós-gênero, o feminismo negro e ainda a abordagem de gênero nos estudos migratórios. No eixo central da tese, estão as questões relativas à representação midiática da alteridade no discurso do jornalismo. Primeiro, analisamos o “discurso de autoridade do jornalismo”, que fundamenta a sub-representação e a invisibilidade dos grupos minoritários nas páginas dos jornais. Em seguida, apresentamos o “discurso de alteridade do jornalismo”, que assinala uma possibilidade de inclusão. Na pesquisa empírica, são investigados jornais franceses, italianos, espanhóis, portugueses e ingleses, com o objetivo de verificar as constantes e as variáveis destas representações a partir da metodologia proposta pelos estudos críticos do discurso. Somam-se às investigações teóricas, as entrevistas realizadas com mulheres brasileiras que vivem na Europa. Suas experiências compõem a tese, indicando novos caminhos para uma análise que conjuga jornalismo, alteridade e racismo.
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DANIEL BITTENCOURT PORTUGAL
As Bestas dentro de Nós: um estudo filosófico-comunicacional sobre a representação de alteridades más no espaço subjetivo
Orientador: Paulo Roberto Gibaldi Vaz
Resumo: Este trabalho estuda alguns constructos psicológico-morais que, ao longo da história da cultura ocidental, ganharam o estatuto de “mal em nós”. Esses constructos, aos quais empresto a alcunha de “bestas dentro de nós”, costumam desempenhar a função de pedra angular de certas morais, na medida em que pretensamente explicam porque nossa existência imperfeita não corresponde à existência plena para a qual supostamente estaríamos destinados. Se nós sofremos, angustiamo-nos etc., isso ocorre, segundo as visões bestializadoras, porque uma instância má em nós corrompe nossa existência. Para nos aproximarmos do Bem, deveríamos nos submeter às regras da moral por elas instituídas, de modo a atingir um tipo qualquer de redenção. São três, proponho, as bestas dentro de nós que gozaram de ampla legitimidade na história da cultura ocidental. A primeira é, sem dúvida, o grande paradigma da besta dentro de nós na tradição ocidental: trata-se da besta constituída por nossos desejos e paixões quando encarados como vícios. A segunda é a besta relacionada às obrigações morais e às regras sociais interiorizadas na medida em que elas aparecem como aquilo que nos reprime. A terceira, por fim, é a besta relacionada à tristeza e ao sofrimento psíquico na medida em que estes aparecem como uma doença. O objetivo deste trabalho é mapear as tradições bestializadoras que sustentam essas três bestas e, em seguida, refletir sobre a possibilidade de uma ética desbestializadora. No desenvolvimento de tal reflexão, o estudo de uma quarta besta se faz necessário – trata-se de uma besta que em nenhum momento aparece como principal, mas cuja bestialização acompanha as demais bestializações na própria medida em que estas últimas negam a liberdade criativa e encobrem o que Nietzsche chama de “absurdo da existência”. Essa besta pode ser definida como a parte irascível, orgulhosa e vaidosa de nós. Mas, quando encarada através de uma perspectiva integradora – ou seja, quando desbestializada – essa mesma parte de nós se revela impulsionadora de uma ética afirmativa e criativa, que nos permite encarar de frente nossa situação existencial precária e nossa finitude.
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DIEGO PALEÓLOGO ASSUNÇÃO
A Máquina de Fabricar Vampiros: tecnologias da morte, do sangue e do sexo
Orientadora: Ieda Tucherman
Resumo: O vampiro é um dos mais pontuais sintomas de uma sociedade obcecada com sexo, morte, violência e juventude. As primeiras aparições ficcionais literárias desse monstro datam do século XVII, durante o espasmo da Revolução Industrial. Fabricações bastardas de um período cujo objetivo era a iluminação e o desencantamento do mundo, o vampiro inicia sua carreira como uma resistência diante da industrialização, mecanização e capitalização do mundo. Desde o final do século XVIII, o vampiro estabelece uma relação simbiótica com o imaginário ocidental e jamais sai de cena. O objetivo dessa pesquisa é investigar, a partir de narrativas específicas, como as ficções vampíricas funcionam enquanto tecnologias de resistência em diversos campos: gênero, sexualidade, regimes políticos... Nesse sentido, o vampiro incorpora, em cada período, os medos, angústias e ansiedades latentes no imaginário social; funciona como uma espécie de avatar sobre o qual depositamos nossos medos mais íntimos e nossas perversões inconfessáveis. O vampiro é o nódulo de uma sociedade fragmentada. Reinventados em diversos produtos da cultura de massa do final do século XX e início do XXI, torna-se personagem central de uma época cujo projeto político parece ser a domesticação, alisamento e homogeneização do monstro ficcional. Corpos, desejos e impulsos controlados produzem, por um lado, monstros domesticados e, por outro, excessivas imagens de sexo e violência, compactuando com um desejo perverso de desmobilização política do indivíduo. Drácula, de Bram Stoker, serve como o romance nuclear do qual os vampiros contemporâneos se afastam; Walter Benjamin, Gilles Deleuze, Michel Foucault, Jonathan Crary, Giorgio Agamben, entre outros, fornecem a moldura teórica dentro da qual entregamos nossos pescoços aos afiados dentes dos vampiros. Seguimos uma constelação sanguínea que se inicia nas baladas góticas do romantismo e explode em abjetas imagens no século XXI. A indagação dessa pesquisa se abre em um vetor que aponta para eles, os vampiros, e para nós, humanos: o que desejam os vampiros? Na outra extremidade: o que nós desejamos deles?
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GLÁUCIA DA SILVA MENDES MORAES
Pátria Grande à Vista: TeleSUR e as contradições da integração da América Latina
Orientador: Eduardo Granja Coutinho
Resumo: A ascensão dos denominados “governos progressistas” na América Latina conduziu à criação da TeleSUR, emissora de televisão multiestatal que se propõe a promover a integração simbólica dos países do continente mediante a representação unificada da diversidade social da região. Essa tese analisa se e em que medida tal ideal é concretizado, desvelando as contradições inerentes ao projeto comunicacional. A partir da aplicação do método materialista dialético, a pesquisa procura compreender a institucionalização da emissora enquanto aparelho de contra-hegemonia e, principalmente, sua cobertura jornalística, em articulação com a correlação de forças vigente nos âmbitos nacional e internacional. O ponto de partida materialista remete a um cenário de inserção subordinada da América Latina em um sistema-mundo imperialista, do qual deriva a singular estratégia adotada por determinadas vertentes da esquerda no continente: a formulação de projetos nacionalistas com vocação internacionalista. A opção por esse caminho revela-se ambivalente, podendo assumir um caráter progressista e/ou conservador, na medida em que envolve a formação de alianças entre frações de classe antagônicas, provenientes da burguesia e das camadas populares. Essa contradição encontra-se na origem dos paradoxos do projeto comunicacional da TeleSUR que se almeja evidenciar. A pesquisa parte da hipótese de que, embora todos os governos progressistas tenham surgido como parte do mesmo processo histórico de contestação do imperialismo neoliberal e sejam marcados por alianças entre grupos sociais antagônicos, cada um deles é constituído por uma aliança nacional singular. Tais contradições e singularidades repercutem dialeticamente na esfera cultural, expressando-se tanto nos contornos assumidos pela TeleSUR enquanto aparelho de contra-hegemonia quanto em suas construções ideológicas. Enquanto aparelho de contrahegemonia, sustenta-se que a TeleSUR encarna majoritariamente os valores associados à praxis terceiromundista de emancipação comunicacional; entretanto, ela também é atravessada pelas distintas lógicas das políticas nacionais de comunicação dos governos signatários, inexistindo, portanto, uma política integrada a respeito. No plano ideológico-cultural, procura-se evidenciar que a cobertura jornalística referente a cada umdos governos progressistas é marcada por importantes paradoxos, dialeticamente relacionados às contraditórias formações sociais que se encontram na base desses processos políticos. Além disso, quando comparadas
entre si, as coberturas relativas a cada país não remetem a um projeto político unificado, mas sim a distintos projetos nacionais, cujas orientações políticas divergem em aspectos centrais.
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GUSTAVO BARRETO DE CAMPOS
Dois Séculos de Imigração no Brasil: a construção da imagem e papel social dos estrangeiros pela imprensa entre 1808 e 2015
Orientador: Mohammed ElHajji
Resumo: A entrada e estabelecimento de imigrantes no Brasil desde 1808, data da abertura dos portos ao comércio com as nações amigas, foi um dos grandes acontecimentos da História do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente entre 1901 e 2000 a população brasileira saltou de 17,4 milhões para 169,6 milhões de pessoas, com 10% desse crescimento se devendo aos imigrantes. Esse intenso fluxo migratório foi acompanhado de um ainda maior fluxo de informações sobre estes novos residentes. Durante todo o período analisado neste trabalho – de 1808 a 2015 –, a imprensa se ocupou do assunto a partir de referências conceituais como assimilação, nacionalismo, embranquecimento, eugenia, racismo, xenofobia, tolerância e hospitalidade. A partir da consulta de 11 mil edições de periódicos jornalísticos impressos presentes no país ou em português e sobre o Brasil em que o tema da imigração foi citado direta ou indiretamente, selecionamos aproximadamente 200 matérias jornalísticas que compõe este trabalho. O objetivo, tomando como base referencial os estudos migratórios, é abordar as seguintes questões: o que significa ser imigrante ou estrangeiro para a imprensa brasileira ao longo da nossa História? Qual foi o papel atribuído a estes indivíduos e grupos, no Brasil, pelos meios de comunicação impressos?
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JOÃO RENATO DE SOUZA COELHO BENAZZI
C
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KÊNIA CARDOSO VILAÇA DE FREITAS
A Ressonância das Imagens: a emergência da multidão no Egito, na Espanha e no Brasil
Orientadora: Ivana Bentes de Oliveira
Resumo: Pesquisa dos filmes e dos videos ressonantes produzidos sobre a multidao emergente nas manifestações de rua do Egito, da Espanha e do Brasil, entre os anos de 2011 e 2013. O trabalho tem como ponto de partida o carater ressonante dessas imagens em movimento, entendo a ressonância como uma efervescência corporal, afetiva e tangivel gerada pelo encontro da multidao nas mobilizacoes politicas. Dessa forma, o objetivo da pesquisa e o de construir uma reflexao sobre as imagens em movimento das manifestacoes de rua atuais por meio da qualidade ressonante que as atravessam. A hipotese levantada e a de que as imagens ressonantes dos acontecimentos insurgentes sao elementos de mobilizacao, de memoria e de constituicao efetiva desses eventos. Assim, por meio da analise multidiciplinar de filmes e videos, a tese evidenciara a ressonância das imagens de protestos sob dois aspectos: nas cenas dos corpos da multidao nas ruas e nos dispositivos filmicos de edicao, roteirizacao e montagem que produzem ou ampliam esse efeito. O trabalho realizara tambem uma comparacao entre as imagens ressonantes produzidas nos eventos insurgentes do Egito, da Espanha e do Brasil e as produzidas nos acontecimentos que constituem a sua genealogia.
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LENA BENZECRY
A Radiodifusão Sonora do Samba Urbano Carioca: uma retrospectiva crítica das principais representações construídas acerca desse gênero musical em programas radiofônicos do Rio de Janeiro
Orientador: Micael Maiolino Herschmann
Resumo: Esta tese analisa a história e as representações do samba urbano carioca na radiodifusão sonora do Rio de Janeiro, com base em três de programas específicos: Programa César de Alencar, transmitido pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, durante a fase áurea da emissora e o início de seu declínio (1945 -1964); Adelzon Alves, o amigo da madrugada, transmitido desde 2009 também pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, porém, historicamente consagrado na emissora comercial Rádio Globo AM, onde permaneceu no ar de 1966 a 1990; e o programa Samba social clube, transmitido pela emissora comercial MPB-FM, desde 2006. A seleção desse corpus se justifica no decorrer da tese por motivos como pioneirismo, longevidade, popularidade e reconhecimento, tanto dos programas em si, quanto de seus apresentadores, como porta-vozes do samba no rádio carioca. No entanto, muito mais do que isso, o corpus selecionado permitiu alcançar dois resultados fundamentais no âmbito das pesquisas em Comunicação e Cultura. Primeiro, o desenvolvimento de uma análise crítica a respeito do espaço ocupado pelo samba urbano carioca ao longo de sua trajetória no rádio do Rio de Janeiro. Segundo, a compreensão dos interesses econômicos, políticos e culturais que alicerçaram o processo de difusão radiofônica das principais representações sociais que caracterizaram esse gênero musical ao longo de sua história. Quais sejam: o samba como “símbolo nacional”; o samba como “música de resistência”; e o samba como “música de raiz”. Tais representações, conforme será visto, foram disseminadas ora em consonância, ora em dissonância, com as políticas de hegemonia cultural que se pretenderam para o Brasil, contanto com forte apoio do rádio e da indústria da música em geral, nesse processo. As análises desenvolvidas ao longo do trabalho se baseiam numa fundamentação teórica que reúne autores dos Estudos Culturais britânicos (ECs) com autores da corrente ibero-americana da Economia Política da Comunicação (EPC). À luz desse intercâmbio teórico, desenvolveu-se o esforço de comprovar a hipótese central desta tese, que se baseia na ideia de que, desde os primórdios da radiodifusão sonora no Brasil, onde, o Rio de Janeiro foi o palco referencial, os espaços nobres ocupados pelo samba em programas radiofônicos ? de significativa visibilidade ? estiveram associados a motivações de ordem econômica, culturais e por vezes políticas, ligadas à lógica comercial que predominou na conformação dessa indústria no Brasil. Metodologicamente, a pesquisa contou com a análise de arquivos sonoros dos programas selecionados, com técnicas de entrevistas semiestruturada e em profundidade e com uma vasta revisão bibliográfica, cujo tema central esteve predominantemente vinculado à historiografia do samba e da radiodifusão sonora brasileira.
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LILIAN SABACK DE SÁ MORAES
Parceiro do RJ / TV Globo: comunidade e narrativas inclusivas pelo audiovisual
Orientadora: Raquel Paiva de Araújo Soares
Resumo: O objetivo deste trabalho é discutir os três pilares que sustentam as reportagens produzidas por moradores de comunidades do Rio de Janeiro para o quadro Parceiro do RJ, veiculado no telejornal RJTV – 1ª Edição, da TV Globo, como uma narrativa comunitária que mexe com o padrão Globo de jornalismo. À luz de teóricos como Giorgio Agamben, Kenneth Schmitz, Michel de Certeau (1925 – 1986), Muniz Sodré e Raquel Paiva, a proposta é analisar a estratégia e as táticas que envolvem os vídeos produzidos por jovens com idades entre 18 e 30 anos, que vivenciam o cotidiano das comunidades cariocas, e finalizados por jornalistas profissionais detentores da técnica jornalística. A partir da concepção de uma nova metodologia de análise, a tese traz concepções de terminologias próprias do jornalismo produzido para televisão.
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MARCELO LEITE BARBALHO
Fotojornalismo Expandido: fotógrafo e reportagem visual no atual sistema de produção e difusão de notícias
Orientador: Mauricio Lissovsky
Resumo: Esta pesquisa visa investigar o atual processo de expansão do fotojornalismo. Para isso examina dois aspectos em especial: o posicionamento atual do repórter fotográfico no sistema de produção e difusão de notícias e como ele procura adaptar-se aos novos tempos usando, por exemplo, a conexão fotografia-vídeo. Durante esse percurso é traçado um panorama da situação da profissão de fotojornalista, desde a constatação de um estado de crise na mídia impressa até a análise de obras que, mesclando fotografia com outras linguagens, como a do cinema, têm levado o fotógrafo a aventurar-se por outras áreas, estabelecer novas alianças e relacionar-se com a tradição do fotojornalismo. Num mundo saturado de imagens, a pesquisa defende a ideia de que o fotojornalista deva criar novas formas de narrar visualmente um evento e explorar a internet como canal de distribuição para alcançar um público interessado em reportagens aprofundadas. Além disso, procura sustentar a opinião de que os fotógrafos precisam valorizar a interpretação no lugar da transcrição dos fatos, levando leitores à reflexão e não simplesmente ao consumo imediato de informação. Este texto aborda ainda estratégias implementadas por jornais para encontrar um modelo digital para seus negócios. Com objetivo de produzir um “instantâneo” do fotojornalismo expandido, das experiências e desafios vividos pelo repórter fotográfico, boa parte desta pesquisa está baseada em entrevistas com profissionais da área (fotógrafos, editores, jornalistas etc.).
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MARINA PANTOJA BOECHAT
To Visualize, to Discover and to Share: on the uses of information visualization for building shared spaces for public debate, the cases of data journalism and controversy mapping
Orientador: André de Souza Parente
Resumo: Discutimos como, em sociedades pesadamente mediadas por tecnologias da comunicação e da informação, onde os dados se tornam ubíquos, a visualização pode colaborar para compor espaços comuns para o debate público, o que envolveria tornar visíveis aspectos complexos da vida social e da agenda pública. Para tal, entendemos que é importante investigar as raízes da visualização e seu desenvolvimento em conjunto com os dados, cada vez mais utilizados como unidade básica para descrever, registrar e gerir as interações sociais. Em segundo lugar, é necessário também discutir as práticas de visualização e os desafios para seu uso como ferramenta para instrumentar o debate público, especialmente nos campos da mídia e das ciências sociais, onde as questões relativas à representação da realidade social são cruciais. Para tal, a tese foi organizada em duas abordagens principais: primeiramente, foi composta uma pequena história do que entendemos como um processo de discretização e recomposição de suportes e formas de registro. Procuramos com isso ressaltar o vínculo de mútua constituição entre a visualização e os dados, desnaturalizando a ubiquidade destes últimos e contextualizando a importância dos primeiros. Em segundo lugar, realizamos um trabalho empírico, por meio de observação direta e entrevistas qualitativas, em dois campos: o jornalismo de dados, e os métodos digitais de pesquisa social, mais especificamente a Cartografia de Controvérsias. Nossos principais achados vão rumo, primeiramente, à percepção da importância das progressivas transformações nas visualizações entre a análise e os resultados finais – consideradas por nós como rastros do debate e das diversas interpretações ao longo do caminho –, e também das diferentes perspectivas e maneiras pelas quais as visualizações são acessadas e relacionadas a cada momento. Finalmente, rumo a uma compreensão de que tais práticas apontam para uma reversão de alguns fluxos tradicionais de informação, por gerarem e reprocessarem dados a partir da informação circulante, utilizando-os como fontes para novos aparelhos de mediação.
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PABLO GONÇALO PIRES DE CAMPOS MARTINS
O Cinema como Refúgio da Escrita: ekphrasis e roteiro, Peter Handke e Wim Wenders, arquivos e paisagens
Orientador: Denilson Lopes Silva
Resumo: A tese abarca os diálogos históricos entre o cinema e a literatura a partir da perspectiva de escritores europeus que assinaram roteiros, dirigiram filmes e constituíram uma obra cinematográfica paralela à literária. Nessa genealogia, abordam-se roteiros (filmados ou não) e obras cinematográficas de escritores como Bertolt Brecht, F. Scott Fitzgerald, Samuel Beckett, Alain Robbe-Grillet, Peter Weiss, Marguerite Duras, Pier Paolo Pasolini e Georges
Pérec. O cerne da análise, contudo, é a obra literária, teatral e cinematográfica do escritor austríaco Peter Handke, assim como a sua colaboração com em três filmes de Wim Wenders, como O medo do goleiro diante do pênalti (1972), Movimento em Falso (1975) e Asas do desejo (1986). A partir dos conceitos de enargeia e de ekphrasis, ambos vindos da oratória greco-romana, retoma-se uma tradição estética que transita entre a palavra e a imagem e que aposta na descrição – visual e literária – como uma forma de produção de presença. Vinda da obra de Peter Handke, a ekphrasis também permitiu compreender a escrita do roteiro como um instante de transição, entre textos e mídias, que visa produzir acontecimentos audiovisuais potentes e futuros. A metodologia do trabalho concentra-se em cotejar análise de roteiros e versões dos roteiros com as realizações dos filmes. Trata-se, portanto, de averiguar um trânsito entre mídias e linguagens, entre tradições literárias e estéticas do visível. É dentro dessa perspectiva que se abordam conceitos como silêncio, descrição, paisagens, o espaço, os mapas, a cidade, os percursos e os arquivos, que seriam formas de transições estéticas entre mídias e diferentes configurações tecnológicas. A tese também traça uma genealogia das paisagens entre as letras, o palco e os filmes, sobretudo de autores vinculados ao cinema novo alemão, como Werner Herzog, Harun Farocki, Hans-Jürgen Syberberg, Jean-Marie Straub e Daniele Huillet. Na literatura moderna alemã, a temática das paisagens nos convida a analisar trabalhos de autores como Robert Walser, Walter Benjamin, Thomas Bernhard e W.G. Sebald. Na parte final, ao adentrarmos na problemática dos arquivos, compartilham-se roteiros não filmados de Wim Wenders (como é o caso de Langsame Heimkher) e de Peter Handke (com o título de Kali). Também aproxima-se a obra de Peter Handke a aspectos da Land Art, cotejando-a a artistas diretores norte-americanos Robert Smithson e James Benning. A pesquisa é fundamentada na metodologia da intermedialidade, em arte da teoria da mídia alemã e fundamenta-se no recente campo dos estudos de roteiro (screenwriting studies).
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RAQUEL TIMPONI PEREIRA RODRIGUES
Modos de Leitura do Jovem Brasileiro Contemporâneo: um estudo dos audiolivros e dos livroclipes
Orientadora: Ana Paula Goulart Ribeiro
Resumo: O trabalho busca relacionar os diversos modos possíveis de se ler na contemporaneidade, com auxílio da mídia, influenciados pelas práticas fragmentadas de leitura no cotidiano. É traçada uma relação entre o letramento tradicional e os produtos híbridos contemporâneos de leitura, utilizados em atividades cotidianas, na tentativa de entender porque as escolas e políticas públicas desvalorizam as formas de leitura apoiadas nos meios de comunicação, e somente legitimam um modelo de letramento europeu. Buscam-se reconfigurar rastros de elementos culturais do passado, pautados nas práticas da oralidade, dos gestos e das imagens que persistem nos usos e apropriações da leitura dos jovens, sob uma mistura de influências dissolvidas entre o popular e o erudito, que marcam a condição da cultura híbrida do brasileiro. O modo de ressignificação da leitura é através de uma historicidade do presente, traçada pela prática de leitura dos meios de comunicação híbridos, no caso da tese, focada nos produtos de análise audiolivro e livroclip. Como metodologia, para o produto audiolivro, escolheu-se analisar as audioleituras adaptadas para a acessibilidade, por meio de entrevistas e testes com grupos focais, realizados em uma escola pública e uma instituição especializada, no caso o Instituto Benjamin Constant, RJ. Já para o produto livroclip, optou-se pela coleta de informações pela etnografia, via observação participante da produção de duas oficinas com alunos do 9º ano do Ensino Fundamental, de uma escola pública e uma particular. Com a análise dos objetos, concluiu-se que a diversidade de letramentos exigidos para os usos das mídias utiliza a habilidade prévia advinda das apropriações dos elementos da oralidade, da imagem e dos gestos que, apesar de mantidos numa zona de sombreamento, persistem ressignificados e atuam como facilitadores nas atuais formas de leitura do cotidiano e, por isso, merecem legitimação.
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THAÍS CONTINENTINO BLANK
Da Tomada à Retomada: origem e migração do cinema doméstico brasileiro
Orientadora: Consuelo da Luz Lins
Resumo: O trabalho realizado no âmbito do doutorado tem como objeto de pesquisa filmes domésticos produzidos no Brasil entre os anos 1920 e 1965. A pesquisa se desenvolveu em duas vertentes tendo como foco de estudo um corpus constituído por filmes caseiros produzidos por cinco famílias. Na primeira vertente, nos debruçamos sobre a origem e o desenvolvimento da prática do cinema doméstico a partir dos anos 1920, no Brasil. Para esse estudo nos baseamos na análise das disputas comerciais que marcaram a entrada no mercado dos equipamentos voltados exclusivamente para uso caseiro; nas publicações dos anos 1920 e 1930 dirigidas ao público amador e na recuperação do contexto de produção das imagens que formam nosso corpus. Nessa primeira etapa problematizamos também as expressões “filme de família” e
“cinema amador” propondo um diálogo com o teórico Roger Odin, responsável pela institucionalização desse campo de estudos na França. Na segunda vertente, acompanhamos o
percurso migratório dos filmes domésticos, seu ingresso nas cinematecas e sua retomada em documentários contemporâneos. Interrogamos as estratégias empregadas na incorporação de registros familiares em centros de preservação de documentos audiovisuais e os diferentes
gestos de reapropriação e ressignificação por parte de artistas que os retomaram em suas obras. Para rescontruir esse caminho migratório nos inspiramos no método de pesquisa promovidos pela historiadora Sylvie Lindeperg, que nos últimos dez anos vem realizando um estudo em torno a migração das imagens da Segunda Guerra Mundial. O presente trabalho tem como objetivo principal discutir os procedimentos de publicização dos filmes domésticos.
Seguindo o caminho migratório das imagens que constituem nosso corpus afirmamos a tese de que os filmes realizados dentro do contexto familiar apenas ganham uma dimensão pública e política quando submetidos a um processo de “montagem”, conceito que trabalhamos a partir das proposições do historiador da arte Georges Didi-Huberman.
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ZILDA MARTINS BARBOSA
Cotas Raciais: para reatualizar o discurso da imprensa e inverter a abolição da escravatura
Orientador: Muniz Sodré de Araujo Cabral
Resumo: A proposta deste trabalho é analisar as narrativas da imprensa brasileira em dois momentos históricos, a Campanha abolicionista (1880-1890), e as Ações afirmativas, sobretudo as cotas (2003-2013). O corpus do estudo compõe-se dos jornais Gazeta de Notícias, Província de São Paulo, Cidade do Rio (século XIX), Folha de S. Paulo e O Globo (século XXI), pesquisa bibliográfica e entrevista com alunos e professores. A ideia é compreender o discurso da imprensa, considerando de um lado, o homem negro escravizado, suporte de um sistema de produção econômica, e do outro, o sujeito livre, formalmente cidadão da República. A tese se apoia nos conceitos de sociedade civil, hegemonia e contra-hegemonia, de Gramsci, nos estudos de Muniz Sodré, Jacques Rancière, Marc Abélès, José Murilo de Carvalho, Boris Fausto, Emília da Costa Viotti e outros. A hipótese é de que as cotas invertem a abolição, considerando tratarem-se de uma política voltada para o sujeito histórico, concreto, com efetivas condições de assumir um lugar de fala. Nesse sentido, as cotas surgem como um contradiscurso, uma condição de possibilidade de enfrentamento do racismo pelo comum, vislumbrando a formação de um novo socius (ser social), logo se diferencia da Campanha abolicionista, cujo caráter era educativo das elites.
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Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso - Histórico
REVISTA ECO-PÓS
v.20, n.2 (2017)
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