Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso
 
 
 
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MÍDIA E MEDIAÇÕES SOCIOCULTURAIS
Marcio Tavares D´Amaral
Professor emérito da UFRJ. Atua na Escola de Comunicação ministrando aulas na graduação e pós-graduação e orientando dissertações de mestrado, teses de doutorado e atividades de iniciação científica. Suas pesquisas estão vinculadas ao Programa de Estudos Avançados - IDEA, que fundou em 1981 e dirige desde então. Dentro do IDEA, coordena o Laboratório de História dos Sistemas de Pensamento. Seus estudos concentram-se atualmente nas áreas de Comunicação, História, Filosofia e Religião, com ênfase na procura por uma resistência não reativa nem ressentida à pretensão pós-moderna ao discurso único globalizado. Para tanto, investiga a análise das origens e desenvolvimento da cultura ocidental, herdeira dos paradigmas grego e judaico, nas suas relações entre razão e fé (filosofia/ciência e religião), tendo como pano de fundo a atual passagem de uma cultura da comunicação (fundamento-real-verdade) para uma cultura da informação (eficácia-virtual-simulação/simulacros-consumo). Formou-se bacharel em Direito e Ciências Sociais (PUC-Rio), fez mestrado em Comunicação, doutorado em Letras (ambos na UFRJ) e pós-doutorado na Sorbonne (Universidade de Paris V). Publicou mais de 20 livros, incluindo romance, poesia e biografias históricas, além de acadêmicos.
PUBLICAÇÕES DISPONÍVEIS:
JUSTEN, Janine; AMARAL, Marcio Tavares D". Informação hoje: fazer jornalístico e capital na pós-modernidade. Iniciacom: revista brasileira de iniciacao cientifica em comunicacao social, v. 5, p. 1-23, 2013.

AMARAL, Marcio Tavares D". Notas breves sobre a amizade. Tempo Brasileiro, v. 191, p. 85-92, 2012.

AMARAL, Marcio Tavares D". História, Filosofia, Religião: sobre um campo novo e suas semeaduras. In: AMARAL, Marcio Tavares D". (org.). História, Filosofia, Religião: conversações. Rio de Janeiro: E-papers, 2014, p. 9-24.

AMARAL, Marcio Tavares D". Sobre Tempos e História: o paradoxo pós-moderno. In: SANTORO, Fernando; FOGEL, Gilvan; AMARAL, Gisele; SCHUBACK, Márcia (orgs.). Pensamento no Brasil - Emmanuel Carneiro Leão. Rio de Janeiro: Hexis - Fundação Biblioteca Nacional, 2010, p. 351-369.
PROJETO DE PESQUISA:

História, Filosofia, Religião: interfaces na cultura comunicacional pós-moderna

Descrição

O projeto visa aprofundar os estudos sobre a formação e a identidade da cultura ocidental contemporânea, recuperando suas duas fontes originais: a cultura grega, pautada no Ser e na Razão, e a cultura judaica, baseada nos fundamentos da Fé e de Deus. Dedica-se a desenvolver uma história dos paradigmas da cultura ocidental desde a sua origem, a partir da confluência das suas duas fontes, até o momento em que se diz que a História acabou. Ao longo da pesquisa sobre essa história dos paradigmas, busca-se identificar os movimentos de aproximação, refutação e descontinuidade entre os fundamentos de Fé e Razão experimentados no sistema História-Filosofia-Religião. O Projeto tem por objetivo ainda ampliar os estudos e as reflexões sobre o regime da eficácia como paradigma cultural contemporâneo, bem como verificar suas causas, efeitos e desdobramentos na atualidade. O projeto elaborado a partir dos resultados e desdobramentos das investigações em relação às hipóteses e aos objetivos propostos em três projetos de pesquisa anteriores: "Comunicação e transcendência: o desafio da cultura atual, entre o moderno e o contemporâneo" (2000 a 2003); "Uma ciência da comunicação ainda é possível? O problema do Mal na cultura contemporânea" (2003 a 2006); e "Investigação do sistema de pensamento religião no campo comunicacional contemporâneo: um novo olhar sobre a verdade"(2007-2010). Tornou-se problemático continuar a dizer real, verdade, fundamento como se fossem coisas seguras. Ter com o mundo, o real, uma relação tal que, desvelados os seus fundamentos, dele se pudesse apreender a verdade, e dizê-la — isso se tornou o totalmente não óbvio. A cultura da comunicação, que põe em contato sujeitos em torno do real, do fato a ser comunicado, e eles em conjunto encontram seu sentido (verdade), começou a ceder espaço a uma cultura da informação, em que já não se trata de sujeitos em laço comunicacional, mas de operadores, de virtuais, de simulações/simulacros, sob a regência da eficácia tecnológica. Posta essa palavra, eficácia, na dimensão de termo radical de uma nova formação cultural, não é palavra inocente. Fala coisas do poder. Exclui. Diz o que pode e o que não pode ser. O que essa palavra diz pode ser o seguinte. A cultura que ainda se chama de ocidental funcionou, por quase dois milênios e meio, perguntando pelo motivo de serem as coisas, por sua razão de ser, e identificando essa motivação com o império das causas, que são sabíveis e comunicáveis. O tempo correu, e no final do século XX interditaram-se essas evidências antigas. Tudo veio a ser experimentado apenas pela sua capacidade de efetuar, efetivar, produzir efeitos, estocar, guardar informação. Do fundamento-comunicação à eficácia-informação: pode-se contar essa história. Ainda há causas, claro, e às vezes é sumamente importante conhecê-las — por exemplo, para atribuir responsabilidades políticas. E quando algo se dá, e não pode ser desconhecido, ainda é necessário saber do seu fundamento, de modo a não se enganar com aparências. Apenas, diante da alta potência do ser eficaz, as causas e os fundamentos vão se tornando menos relevantes, menos interessantes — é menos importante estar dentro delas do que estar por dentro. Estar por dentro significa deixar-se levar pelo fluxo da informação e do consumo. Foi nesse ponto da história, na altura dos anos 80 do século passado, que entrou em cena o discurso, de tendência hegemonista, chamado “pós-moderno”. É um discurso declaratório, não reflexivo, que não reconhece espessura e densidade ao pensamento, que lhe nega sua força radical, crítica. Não por ser um modo superficial de pensar, mas por não ser um modo de pensar. Esse discurso olhou pela última vez o real e o achou desinteressante. Porque ele só é um, e o virtual, forte da sua eficácia tecno-lógica, é muitos, é indeterminadamente todas as possibilidades de efetuar (não se trata mais de causas). É como se os racionalistas e empiristas do primeiro moderno tivessem tido razão ao excluírem o real (o sensível) do plano do conhecimento. Como se. Porque o reconhecimento chega tarde, o “pós-moderno” não tem condições de pensar a “morte” do real. Para pensá-la seria preciso avaliar sua carga de verdade, e a verdade exige o reconhecimento de fundamentos, e fundamentos não há mais, dizem eles. No reino do virtual, trata-se da infinita remissão de imagem a imagem, a imagem, a imagem, sem referência a um real que pudesse (mesmo perdendo a aposta) propor-se verdadeiro. Uma espécie de nominalismo que igualmente chegou tarde, pois não há mais universal, de cuja natureza real ou semiológica se possa ainda cuidar.

 

CURRÍCULO LATTES
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Eco.Pós - Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação da UFRJ - O Curso - Histórico
REVISTA ECO-PÓS
v.20, n.2 (2017)
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