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| O Comunismo da Atenção: liberdade, colaboração e subsunção na era do capitalismo cognitivo |
Descrição: O Comunismo da Atenção: liberdade, colaboração e subsunção na era do capitalismo cognitivo. Por: Fábio Luiz Malini de Lima. Eco.UFRJ_2007. Orientador: Henrique Antoun. Resumo: Essa tese aborda a Internet como um campo político. Nesse sentido, o principal objetivo desse estudo é cartografar os sistemas de comunicação inaugurados pelos internautas das chamadas redes livres (freenets), que, através de mecanismos de autoorganização, autocoordenação e de livre troca de saber e informação, estariam produzindo um mercado para um emaranhado de produtos e serviços criados a partir da colaboração em rede sem a necessidade de uma intermediação do mercado capitalista. A evolução dos sistemas de trocas de arquivo peertopeer (p2p), o desenvolvimento das publicações amadoras (os blogues e sua diversificada família: fotologues, moblogues, videologues, podcasting etc), a estrutura jurídica do copyleft e os veículos de comunicação das chamada web 2.0, são os fenômenos empíricos estudados, nesta tese, como evidências desses novos campos de expressão e de comunicação. Essas freenets são, segundo os teóricos da cibercultura, verdadeiras indutoras: (1) de um novo paradigma, o da comunicação distribuída em antagonismo ao sistema massivo; (2) de um novo sujeito, o poder da multidão em detrimento do da massa; e (3) de uma nova mídia (as chamadas mídias sociais colaborativas, pois feitas de conteúdos disponibilizados pelos usuários que cooperam em rede). Além de esmiuçar a prática da colaboração entre usuários das freenets, a tese ainda possui um amplo resgate do debate – a partir de teóricos ligados ao pensamento do filósofo político Antonio Negri – sobre capitalismo cognitivo, trabalho imaterial e multidão (necessários para explicar a política das freenets), localizando a emergência desses conceitos no deslocamento do regime fordista ao pósfordista, quando se constitui um novo regime de acumulação baseado na interconexão generalizada da sociedade em redes, aquilo que se convencionou nomear de new economy, uma economia totalmente baseada na geração de serviços (inclusive os industriais) desenvolvidos através de inúmeras mediações das linguagens computacionais, das interações contínuas entre produção e consumo (marketing) e da gestão dos gostos e estilos sociais (branding). Tudo isso gerido em tempo real nas redes virtuais interativas e informatizadas. É então nesse contexto que as freenets se qualificam como um campo das resistências a essa “nova economia”, pois que visa tornar e manter comum a linguagem, a comunicação e a informação que circulam, de forma massificada, pelos grupos sociais globais. Na tese, o leitor encontrará, principalmente, uma cartografia da crise da cultura de massa desencadeada pela liberação social do esquema emissorreceptor que constrangia os sujeitos sociais a uma relação extremamente desigual na produção de linguagens e veículos de comunicação próprios. As freenets são então estudadas como uma nova ecologia da comunicação contemporânea, pois que possibiita a interconexão generalizada desses sujeitos que, sempre criativos, não conseguiam distribuir uma riqueza própria de linguagens, estilos, conhecimentos e culturas, senão através da mediação política e discursiva dos mass media. |
| O Samba Segundo as Ialodês: mulheres negras e cultura midiática |
Descrição: O Samba Segundo as Ialodês: mulheres negras e cultura midiática. Por: Jurema Pinto Werneck. Eco.UFRJ_2007. Orientadora: Liv Rebecca Sovik. Resumo: As mulheres negras são estereotipadas e sub-valorizadas na historiografia do
samba. Para fazer uma releitura da história que corrija esse viés, propõe-se a figura
da ialodê, extraída da tradição afro-brasileira, como chave de leitura para deslocar
os estereótipos das mulheres negras na historiografia e destacar sua ação
protagônica no samba. O objetivo é compreender diferentes aspectos da
participação das mulheres negras nesse campo da cultura midiática que é a música
popular e o samba. Para tanto se analisam as disputas por hegemonia implícitas na
historiografia da música popular e do samba; se apresenta uma biografia analítica de
três sambistas negras (Leci Bandão, Alcione e Jovelina Pérola Negra); e se analisa a
obra destas mulheres, a partir de aspectos de gênero e raça. Em conclusão, ao
comparar o senso comum sobre o samba com uma leitura centrada na ialodê,
desnaturalizam-se as versões correntes das origens do samba e de sua dinâmica na
era da indústria cultural. |
| O Show do Eu: Subjetividade dos gêneros confessionais na Internet |
| Obesidade e Pobreza na Imprensa: epidemiologia de uma questão social |
Descrição: Obesidade e Pobreza na Imprensa: epidemiologia de uma questão social. Por: Mônica Marino da Carvalho. Eco.UFRJ_2007. Orientador: Paulo Roberto Gibaldi Vaz. Resumo: Como se dá o nexo entre obesidade e pobreza no jornalismo brasileiro? Esta
questão se produz em um contexto onde cada vez mais as mídias dão visibilidade a
estudos epidemiológicos que alertam sobre o aumento da obesidade entre os
brasileiros, em especial entre os mais pobres.
A pergunta é menos restritiva do que possa parecer, na medida em que o “como” tem valor circunstancial delimitado por um universo de produção de sentidos
relacionado aos campos jornalístico, político e da saúde no Brasil. Além disso, esta
questão provoca uma dinâmica social de controle dos riscos. Tal dinâmica se revela
através de práticas individuais de controle sobre si mesmo, no sentido de uma
tendência governamental em defesa de um Estado mínimo.
O sentido de risco que aqui se destaca é o de uma imposição internalizada, a
partir da qual as autoridades estabelecem discursos, políticas e ações em saúde –
sobretudo informativas –, que exortam as pessoas a avaliarem seu risco individual de
adoecerem e, portanto, a mudarem seus comportamentos de acordo com este mesmo
risco.
Os meios de comunicação se colocam na interface do indivíduo consigo
mesmo para o auto-entendimento e o cuidado de si, entra em cena a pobreza: um
problema social que atravessa a dinâmica do controle dos riscos, baseada na
responsabilização, na culpabilização e na capacidade individual de gerência sobre si.
O nexo entre obesidade e pobreza constituiu o corpus deste trabalho. Foi
critério para a escolha das 65 peças jornalísticas publicadas no jornal brasileiro “Folha de São Paulo”, de 1996 à 2005. A partir da análise do material escolhido viu-se
que o tema obesidade/pobreza, mais que um tema de saúde pública, se mostrou ser
essencialmente político. Neste cenário, observam-se disputas discursivas políticas
acerca do papel do Estado, no momento em que pretende consolidar um Estado
neoliberal brasileiro. |