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Com a publicação de A Máquina de Esperar (2008), encerrou-se uma pesquisa que visava formular uma teoria estética da fotografia moderna a partir da noção de origem em Walter Benjamin e de duração em Henri Bergson. Tal pesquisa contrapunha-se ao discurso acadêmico dominante, de inspiração descontrucionista e contextualista (dominante nos estudos de recepção), que enfatiza o caráter convencionado do sentido das imagens, dependente de um acordo intersubjetivo construído pelos espectadores e sobredeterminado pelas instituições encarregadas de sua circulação. A premissa, formulada primeiro por Benjamin, de que a temporalidade e a experiência histórica inscreve-se na materialidade das imagens como um índice do futuro – que fundamentou a pesquisa anterior –, tem sido recentemente retomada por pensadores como Giorgio Agamben (na sua estética do resto) e por Didi-Hubernan (na sua postulação de uma teoria anacrônica da imagem no âmbito da história da arte). O objetivo da pesquisa atual é incorporar estes desenvolvimentos teóricos à noção de “espera”, anteriormente trabalhada na construção de uma teoria do instantâneo fotográfico, aplicando-os a outros regimes de produção fotográfica. A pesquisa será realizada em duas vertentes:
- O “rosto”, que toma por objeto a paisagem e o retrato na produção fotográfica contemporânea (tanto artística como vernacular). Aqui, a instabilidade da fotografia como significante (Agamben) e sua incerteza epistemológica (Appadurai) são o ponto de partida para a formulação da noção de valência fotográfica que procura dar conta das combinações e hibridações da fotografia (como virtualidades e potências de futuro) a partir da indiscerniblidade de seus atributos objetuais e imagéticos.
- O “resto” (os restos da imagem e a imagem como resto), onde o método anacrônico de análise será experimentado no estudo de imagens de arquivo (em colaboração de bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado que desenvolvem pesquisas em acervos fotográficos e cinematográficos inéditos, entre estes, a produção fotográfica de Monteiro Lobato, cinejornais alemães e norte-americanos acerca do Brasil, produzidos no entre-guerras, e os arquivos da polícia política brasileira no Rio de Janeiro, entre 1930 e 1980).
Ambas as vertentes reúnem-se na formulação de abordagem teórica da fotografia que dê conta agora de sua circulação, usos e apropriações – e não apenas de sua origem –, onde a materialidade dos objetos e dos vestígios e a autonomia das imagens pensados a partir de uma tensão dialética criativa e produtiva de efeitos de saber.
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